Política

PF refaz relatórios sobre ministros do STF citados no caso Master antes de enviar a Fachin

Documentos terão apenas registros objetivos, sem juízo sobre a conduta dos magistrados; PGR e Plenário decidirão se há investigação
Fachin diante do STF e brasão da PF ilustram os relatórios PF ministros STF Master enviados ao Supremo

A Polícia Federal começou nesta quarta-feira (14) a refazer os relatórios que reúnem menções a ministros de tribunais superiores em celulares e mídias apreendidos no caso Master.

Segundo apuração da Gazeta do Povo, seis ministros do STF e ao menos dois do STJ terão documentos individualizados. Eles serão enviados ao presidente do Supremo, Edson Fachin.

A mudança segue o formato exigido por Fachin: textos de caráter descritivo, sem juízo de valor sobre os magistrados. A PF prevê concluir a entrega ainda em outubro.

O que muda nos relatórios

A reformulação foi definida em reunião de mais de uma hora e meia na terça-feira (13), entre Fachin, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e dois diretores da corporação. A entrega dos documentos era esperada para esse encontro, como estava previsto antes da reunião, mas não ocorreu. Os participantes não comentaram o conteúdo publicamente.

Fachin orientou a PF a repassar tudo o que encontrou, sem omitir dados, mas sem enquadramentos penais, inferências de culpa ou indicação de irregularidades. O material deve se limitar a registros objetivos: datas de mensagens, interlocutores, siglas usadas nas conversas e registros de viagens e eventos.

Uma versão preliminar previa apresentar as menções dentro de narrativas, com diálogos, supostas negociações e conexões entre personagens. Esse modelo foi descartado para evitar acusações de que a polícia extrapolou suas atribuições. A PF nega ter investigado magistrados em qualquer momento.

O impasse que levou à reunião

Até então, a cúpula da PF não tinha um rito claro para lidar com citações a ministros do STF e do STJ encontradas no material da Operação Compliance Zero, em especial no primeiro de oito celulares de Daniel Vorcaro, apreendido em novembro de 2025. Foi a própria PF que pediu a audiência com Fachin.

Além de Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e André Mendonça, já citados em documentos anteriores, haveria menções diretas e indiretas a Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes e a um filho do ministro Luiz Fux. Os dados vieram sobretudo dos aparelhos de Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel, apontado pelos investigadores como operador financeiro do esquema.

Do Supremo à PGR e ao Plenário

Quando os relatórios chegarem ao STF, Fachin vai compartilhá-los com a Procuradoria-Geral da República, que dará parecer sobre a existência de elementos para investigar. Depois, o tema segue para o Plenário do STF, onde os ministros decidirão em conjunto se arquivam o caso ou autorizam apurações sobre algum dos citados.

Interlocutores que acompanham o caso veem na centralização uma tentativa de acalmar o ambiente interno da Corte e evitar que relatórios preliminares virem instrumento de pressão política. Na avaliação dessas mesmas fontes, o modelo pode acabar travando investigações sobre os ministros.

Os relatórios anteriores

Em fevereiro, um documento de cerca de 200 páginas citou Toffoli, então relator, com possíveis encontros com Vorcaro e conversas sobre a Maridt, empresa ligada à família do ministro, e o resort Tayayá. Toffoli deixou a relatoria, que passou por sorteio a Mendonça.

Em setembro, um relatório de 218 páginas reuniu mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes entre 2023 e 2025. O caso levou a PGR a apurar a conduta da própria PF, o que ajuda a explicar a cautela atual. Já relatórios de inteligência sobre Mendonça foram usados por Moraes para pedir a suspeição do colega, que nega as acusações.