Os gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) impuseram acesso restrito à análise dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero.
O arquivo enviado pela Polícia Federal tem 500 gigabytes e reúne chats, áudios e registros de atividades do aparelho, organizados com o software de perícia IPED.
A varredura busca fatos relevantes e possíveis lacunas, mas ministros ainda não decidiram os próximos passos nem definiram prazo para concluir a apuração.
Disputa por acesso total ao acervo digital
O impasse nos gabinetes tem origem em uma disputa interna que veio à tona dias antes, quando Gilmar Mendes exigiu cópia integral do celular de Vorcaro à véspera de julgamento no STF, decisão também subscrita por Cristiano Zanin.
Os dois ministros acionaram o presidente da Corte, Edson Fachin, cobrando acesso irrestrito ao espelhamento do aparelho. Fachin ouviu André Mendonça, relator do caso Master, que alegou que a divulgação provocaria tumulto no julgamento. Mesmo sem decisão do presidente, Zanin, Mendes e Alexandre de Moraes determinaram que a PF enviasse a cópia.
Mendonça afirmou que a mídia recebida era uma cópia de segurança criptografada e lacrada, destinada a funcionar como contraprova em caso de extravio do material original, e negou ter manuseado o conteúdo.
Como a PF organizou o material
Peritos usaram o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais) para organizar os dados, recuperar fragmentos apagados e acessar arquivos protegidos por senha. Em nota, a corporação garantiu que as cópias entregues “são idênticas à extração realizada do aparelho” e que o original permanece sob cadeia de custódia documentada, com lacres íntegros.
Relatório já embasou buscas contra senadores
O material extraído do celular já respaldou buscas contra os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA) e arrastou o STF para uma crise sem precedentes depois que Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF que apontou Moraes como interlocutor de 52 mensagens de Vorcaro.
Segundo o documento, elaborado a pedido de Mendonça, Moraes teria atuado na análise e edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci. A PF também registrou que Vorcaro pediu ajuda ao ministro para conter ações contra o banco e que os dois se encontraram oito vezes.
As mensagens atribuídas a Moraes já haviam passado por perícia técnica meses antes da crise atual: em março, a PF extraiu e periciou as trocas entre Vorcaro e o ministro, segundo apurou o jornal O Globo. Moraes classificou as mensagens de fantasiosas e nega ter favorecido o banqueiro ou o Master.