O presidente do STF, Edson Fachin, cancelou nesta quinta-feira (17) a sessão extraordinária do plenário após um novo embate público entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça.
A assessoria do tribunal não informou o motivo oficial, mas a decisão ocorre em meio à escalada da crise aberta pelo caso Master, que já provocou outros cancelamentos na Corte.
Da apreensão de mensagens ao embate público
A crise teve origem na análise de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, em processo sob relatoria de Mendonça. Entre os registros, constavam citações ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Na sessão de terça-feira (15), quando o STF debatia se Alexandre de Moraes poderia participar do julgamento sobre sua própria conduta, Gonet negou qualquer relação com o ex-banqueiro. Gilmar Mendes saiu em defesa do procurador e acusou Mendonça de agir com “desfaçatez”, “leviandade” e “sentimento policialesco”.
Nesta quinta, antes do cancelamento, Gilmar voltou a atacar publicamente, afirmando que a honra de Gonet foi “injustamente manchada” e classificando Mendonça como “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral” por suposto vazamento seletivo com fins eleitorais.
Em nota, Mendonça rebateu: disse que o pedido de retirada de sigilo não partiu dele e que nunca transformou o plenário em “palanque ou picadeiro”. Defendeu ainda a aprovação de um código de ética para regrar a conduta dos ministros.
Terceiro cancelamento em duas semanas
A sessão desta quinta é a terceira suspensa pela presidência do STF em duas semanas. Em 9 de setembro, Fachin já havia suspendido o plenário em meio à disputa pelo comando da Polícia Federal, outro capítulo da crise aberta pelo caso Master.
O impasse remonta a 4 de setembro, quando Fachin retirou da relatoria de Moraes o pedido de investigação contra Mendonça e centralizou o conflito na Presidência — movimento que não conteve os atritos.
Com o cancelamento, ficam parados temas como reajuste de planos de saúde para idosos, tributação de incentivos fiscais estaduais e limites de acesso a dados de usuários por autoridades de investigação. A sessão que analisaria a conduta de Mendonça no caso Master, marcada para a próxima quarta (23), também será remarcada.