Política

Cláusula de barreira tira fundo e TV de cinco legendas que elegeram 34 deputados

PDT, Avante, Missão e as federações Psol-Rede e PRD-Solidariedade perdem direito a líder próprio na Câmara
Plenário da Câmara dos Deputados em vista aérea, símbolo da cláusula de barreira nas eleições 2026

Cinco agremiações que conquistaram cadeiras na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026 vão começar a próxima legislatura sem dinheiro do Fundo Partidário e sem tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV: as federações Psol-Rede e PRD-Solidariedade e os partidos PDT, Avante e Missão.

Juntas, essas legendas elegeram 34 deputados federais no pleito de 4 de outubro, mas não alcançaram a cláusula de barreira. Das 20 siglas que fizeram deputado, sete ficaram abaixo do piso de desempenho — quatro delas atuando dentro de federações e três por conta própria.

O que a lei exige para passar do piso

Há dois caminhos alternativos para cumprir a exigência. O primeiro é eleger no mínimo 13 deputados federais distribuídos por nove unidades da Federação. O segundo é somar pelo menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal em todo o território nacional, com no mínimo 1,5% dos votos válidos em nove ou mais unidades da Federação.

Quem não cumpre nenhuma das duas condições fica fora do rateio do Fundo Partidário, o dinheiro público que sustenta a estrutura das legendas, e perde a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão — duas das principais moedas da política partidária brasileira.

Bancada sem líder no plenário

O efeito menos visível, mas decisivo no dia a dia do Congresso, é regimental. Partidos e federações abaixo da cláusula passam a ter apenas um representante na Câmara, em vez de líder partidário, posição com bem menos prerrogativas para intervir no processo legislativo, negociar pauta e orientar votações.

O tema já vinha mobilizando o próprio Congresso: em 2025, a CCJ da Câmara aprovou proposta que barra partidos fora da cláusula de propor ações de controle concentrado no STF e obriga siglas federadas a agir em conjunto — texto que ainda tramita e não é lei.

Federações não garantiram a travessia

A reunião de siglas em federação foi desenhada justamente para somar votos e superar o piso de desempenho, mas não funcionou para duas delas. A federação Psol-Rede chegou ao pleito em posição peculiar, apoiando Lula sem se integrar à federação PT-PCdoB-PV, e agora fica abaixo da linha de corte. A PRD-Solidariedade teve o mesmo destino.

A lista dos que ficaram de fora

Além das cinco agremiações que elegeram deputados, outras nove siglas também não atingiram o desempenho mínimo e não terão representação na Câmara: PSTU, Mobiliza, Agir, UP, PCO, DC, Democrata, PCB e PRTB.

Na prática, a cláusula separa a legislatura em dois grupos: as bancadas com líder, verba e tempo de TV, e as que chegam ao plenário com mandatos, mas sem os instrumentos para fazê-los pesar.