O PL sai das eleições de 2026 como a maior bancada das duas Casas do Congresso Nacional. O partido chega a 121 deputados na Câmara e a 28 senadores na próxima legislatura, segundo levantamento do g1.
Do outro lado da conta, siglas tradicionais perderam terreno: União Brasil e PSDB encolheram seis cadeiras cada na Câmara, o PSD perdeu nove no Senado e o Cidadania não elegeu nenhum deputado.
Na Câmara, o PL cresce 23 cadeiras
O avanço do PL na Câmara dos Deputados ocorreu com folga sobre os demais partidos: a bancada aumentou em 23 cadeiras e chega a 121 deputados. A marca já havia sido confirmada dias antes, quando o PL superou o recorde histórico do MDB, que elegera 108 parlamentares em 1990 — a maior bancada de um único partido desde a Constituição de 1988.
Logo atrás vêm PT e Novo, ambos com cinco cadeiras a mais. O PT passou de 65 para 70 deputados, resultado bem abaixo da meta de 140 a 150 deputados que Lula cobrava da legenda em 2025. O Novo dobrou de tamanho e chegou a 10 parlamentares — o maior crescimento proporcional em relação aos eleitos em 2022. PRD, PSOL e PV também ampliaram suas bancadas, em escala menor.
Na outra ponta, União Brasil caiu de 52 para 46 deputados e o PSDB, de 17 para 11, uma das maiores retrações proporcionais do pleito. O caso mais extremo é o do Cidadania: o partido não terá nenhum representante na Câmara em 2027.
O resultado nas urnas também ajuda a medir o peso do dinheiro público nas campanhas. Em análise que cruza o Fundo Eleitoral de 2026 (R$ 4,95 bilhões) com o número de eleitos, o g1 mostra que PL, PT e União Brasil concentraram cerca de 40% dos recursos, com R$ 881,7 milhões, R$ 615,4 milhões e R$ 526,2 milhões, respectivamente. O PL elegeu 23,6% da Câmara com 17,8% do fundo, e o PT, 13,6% das cadeiras com 12,4%. Já o União Brasil, terceiro maior beneficiado (10,6% dos recursos), ficou com 9,0% dos deputados. No sentido oposto, o Novo, que recebeu a cota mínima de 0,7% do fundo, elegeu 10 deputados (1,9% da Casa), uma das maiores distâncias favoráveis entre os partidos.
Bancada igual, deputados diferentes
Podemos, PCdoB, Avante e Missão terminam a eleição com bancadas do mesmo tamanho — mas não com os mesmos nomes. No Podemos, apenas 12 dos 27 deputados atuais foram reeleitos. No PCdoB, 7 de 11; no Avante, 4 de 5; e no Missão, o único deputado da legenda.
No Senado, ganhos concentrados em poucas siglas
O redesenho do Senado Federal foi menos pulverizado que o da Câmara. Depois do PL, que lidera com 28 senadores, os maiores ganhos ficaram com Novo e União Brasil, com três cadeiras cada. A Rede também ampliou sua representação, enquanto PT e PDT mantiveram o tamanho das bancadas.
As perdas se concentraram no PSD, que registrou a maior queda entre todas as legendas: nove cadeiras a menos, ficando com cinco senadores em 2027. O PSB perdeu três vagas; PP e PSDB, duas cada; MDB, Republicanos, Podemos e Avante encolheram em um representante.
A comparação com o Fundo Eleitoral ajuda a dimensionar esses números. Das 54 vagas em disputa no primeiro turno, o PL conquistou 19 (35,2%) com 17,8% do fundo, o MDB elegeu sete (13%) com 8,1% e o PT, seis (11,1%) com 12,4%, de acordo com o levantamento do g1. O PSD, com a quarta maior fatia do fundo (8,5%), elegeu apenas dois senadores (3,7%) e vai encolher de 14 para cinco representantes. O União Brasil elegeu três (5,6%) com 10,6% dos recursos, e o Republicanos, dois (3,7%) com 7%. O caso mais desproporcional foi o do Novo, que não tem senadores hoje e elegeu três (5,6%) com a cota mínima do fundo.
A conta soma os 54 senadores eleitos em 2026 aos ocupantes previstos das 27 cadeiras cujos mandatos só terminam em janeiro de 2031. O mandato de senador é de oito anos, e a Casa tem 81 cadeiras no total.
O fortalecimento do PL não começou nas urnas: na janela partidária de abril, a legenda já havia saltado de 87 para 97 deputados, movimento que antecipava a disparada registrada na eleição.