Política

Câmara terá 108 deputadas em 2027 e bate recorde de bancada feminina

Aumento de 17 cadeiras em relação a 2022 consolida a terceira eleição seguida de avanço da representação
Plenário da Câmara dos Deputados visto do alto, simbolizando o recorde da bancada feminina Câmara 2027.

A Câmara dos Deputados vai abrir a legislatura de 2027 com a maior bancada feminina já registrada: 108 deputadas eleitas no domingo (4), 17 a mais do que as 91 que conquistaram vaga em 2022.

O resultado, segundo levantamento do g1, confirma a terceira eleição consecutiva de crescimento da presença de mulheres na Casa — que seguem minoria entre os 390 deputados federais eleitos no pleito.

PT e PL lideram a eleição de mulheres

Os dois partidos que polarizaram a disputa também são os que mais elegeram deputadas. O PT fez 26 nomes, o maior número entre todas as legendas, seguido pelo PL, com 22.

As 22 deputadas eleitas pelo PL fazem parte de uma conquista bem maior da sigla, que deve fechar a próxima legislatura com 121 cadeiras e a maior bancada da Câmara. Na votação de domingo, o partido elegeu 81 deputados federais; o PT ficou em segundo, com 47.

Perfil racial fica estável

O avanço feminino não se repetiu em outro indicador de representatividade. O número de deputados pretos e pardos permaneceu em 135 cadeiras, sem alteração em relação ao patamar anterior.

O que a lei garante — e o que ela não garante

O recorde se dá sob um conjunto de regras que vale para as eleições proporcionais: deputado federal, estadual, distrital e vereador.

Pela Lei das Eleições, ao menos 30% das candidaturas de cada partido ou federação precisam ser de um gênero — e, por consequência, no máximo 70% podem ser do outro. A legislação também reserva dinheiro: as mulheres devem receber no mínimo 30% dos recursos públicos de campanha e do tempo de propaganda eleitoral gratuita. Se elas passam de 30% das candidaturas, essa fatia cresce na mesma proporção.

O que a norma não estabelece é um piso de mulheres eleitas. A cota atua na largada, criando condições mínimas de disputa, e não no resultado. Por isso cada cadeira a mais na bancada feminina depende exclusivamente do desempenho nas urnas — o que torna o salto de 91 para 108 um movimento construído voto a voto, e não um efeito automático da legislação.