A Câmara eleita no domingo (4) terá 276 deputados de partidos de direita, uma cadeira a mais do que esse campo conquistou em 2022. A bancada da direita segue, de longe, a maior força da Casa.
A esquerda ficou com 124 assentos — eram 125 — e o centro repetiu exatamente as 113 cadeiras da legislatura atual. O retrato é de estabilidade: em quatro anos, nenhum dos três blocos se mexeu mais do que uma cadeira.
PL concentra quase metade da direita eleita
O PL, legenda que lançou Flávio Bolsonaro à disputa presidencial, elegeu 121 deputados federais, contra 99 em 2022 — alta de 22,22% e a maior bancada do Congresso. O resultado consolida a maior bancada de um único partido na Câmara desde a Constituição de 1988, superando o recorde que o MDB detinha desde 1990.
Tiradas as cadeiras do PL, as demais siglas do campo — entre elas União Brasil, Republicanos, Podemos, PSDB, PRD e Novo — somam 155 deputados. Ou seja: quase metade da direita eleita está concentrada em um único partido, o que muda o peso relativo dentro do próprio bloco.
PT avança duas cadeiras e fica longe da meta
O PT subiu de 68 para 70 deputados e manteve a segunda maior bancada da Casa. Os 70 eleitos ficam bem abaixo da meta que Lula havia cobrado do próprio partido em 2025, quando falava em chegar a 140 ou 150 parlamentares em 2026.
A divisão por espectro ideológico vem de levantamento do Poder360, que usou como referência o artigo Uma Nova Classificação Ideológica dos Partidos Políticos Brasileiros, de cientistas políticos da UFPR e da UEM, com ajustes para movimentações recentes das legendas e para o perfil dos candidatos lançados neste ano.
Centro volta a ser fiel da balança
O número expressivo não dispensa negociação. Caso a direita vença o segundo turno presidencial de 25 de outubro, ainda precisará costurar apoio com os deputados de centro para aprovar sua agenda — e é esse bloco de 113 parlamentares, inalterado em tamanho desde 2022, que tende a definir o ritmo do próximo governo. Pelas contas do próprio PL, cerca de 283 dos 513 deputados eleitos estariam alinhados com a pauta do partido caso Flávio Bolsonaro vença a disputa, o que facilitaria a aprovação de propostas com menos desgaste. Se Lula se reeleger, o cenário se inverte: o petista encontrará um Legislativo mais distante de suas bandeiras, e o PT — com 70 cadeiras — precisará de aliados para evitar que o PL controle isoladamente as principais comissões da Câmara e do Senado, colegiados que analisam os projetos antes do plenário e concentram parte das emendas parlamentares.
A força do campo conservador também não para na Câmara: o mesmo pleito deu ao PL a maior bancada do Senado a partir de 2027, com 28 senadores, o que amplia o poder de pauta da legenda nas duas Casas e deve se refletir também na disputa pelas presidências do Senado e da Câmara. Entre as prioridades que o partido pretende impulsionar está o enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal, incluindo a possibilidade de tentar processos de impeachment contra ministros a partir do Senado, além da oposição à PEC que extingue a escala de trabalho 6×1 e da defesa da redução da maioridade penal, bandeira de Flávio Bolsonaro que já tramita em comissão especial na Câmara.
Os 513 eleitos tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, no início da nova legislatura. Até lá, o resultado do dia 25 dirá se o maior bloco da Câmara chega a Brasília como base do Executivo ou como oposição organizada.