Política

Federações partidárias ficam neutras na disputa presidencial de 2026

Só a federação de Lula tem candidato ao Planalto; as demais miram o Congresso e os governos estaduais
Lula com faixa presidencial em destaque e Congresso Nacional ao fundo, símbolo das federações partidárias neutras 2026

Das cinco federações partidárias registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026, apenas uma lançou candidato à Presidência: a aliança entre PT, PCdoB e PV, que sustenta a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato.

As outras federações, incluindo a União-Progressistas, preferiram não indicar nome nem declarar apoio a nenhum dos presidenciáveis, concentrando forças nas disputas para o Congresso Nacional e para os governos estaduais.

Foco no Congresso e no Fundo Partidário

A federação Psol-Rede ocupa posição peculiar no tabuleiro eleitoral: apoia oficialmente a candidatura de Lula, mas optou por não se integrar à federação PT-PCdoB-PV para preservar autonomia política, como fez ao declarar apoio ao petista ainda em março.

As demais federações neutras, somadas, lançaram 3.766 candidaturas em 2026, concentradas na disputa por cadeiras no Congresso Nacional. Havia expectativa da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), que chegou a oferecer a vaga de vice na chapa presidencial ao Progressistas em troca do apoio da federação União-Progressistas — acordo selado no início de agosto, depois de o governo Lula atuar nos bastidores para esvaziar a aliança.

Ao todo, os 11 partidos federados lançaram 6.381 candidaturas neste ano, das quais 2.430 disputam vagas no Congresso — União Brasil e Progressistas somam o maior contingente. O interesse pela Câmara dos Deputados também passa pelo caixa: o Fundo Partidário distribuiu R$ 732 milhões entre as legendas até julho, segundo o TSE.

Acordos estaduais mostram os bastidores da neutralidade

Apesar de evitar indicar candidato à Presidência, as federações neutras não abrem mão da disputa nos estados: juntas, lançaram 23 nomes ao governo, com a dupla União-PP concentrando o maior número de postulantes.

Na Paraíba, o PT integra o palanque de Lucas Ribeiro (PP) ao governo estadual, dando ao petista uma base de campanha em solo paraibano. No Paraná, o apoio do partido a Requião Filho (PDT) inclui a vice Michele Caputo (Solidariedade). Nacionalmente, o PT também fechou acordos com candidatos ao Senado do União Brasil, em Sergipe, e do Solidariedade, em Pernambuco.

Do lado de Flávio Bolsonaro, o apoio se estende a Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB) ao Senado por Alagoas, além de candidatos do União Brasil no Ceará e em Tocantins. O desenho reforça um cenário inédito: 12 das 13 candidaturas presidenciais de 2026 são chapas puro-sangue, sem alianças interpartidárias.

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