Economia

Real acumula alta de 10,19% sobre o dólar e tem o 3º melhor ano desde 2010

Moeda americana saiu de R$ 5,50 para R$ 4,99 em 2026, puxada pelo 1º turno, pela Selic alta e pelo superavit comercial
Sede do Banco Central em Brasília simboliza a valorização do real frente ao dólar

O real acumula valorização de 10,19% frente ao dólar em 2026, no cálculo até 7 de outubro — o terceiro melhor desempenho da moeda brasileira desde 2010. O levantamento é da consultoria Elos Ayta e usa a PTAX, taxa de câmbio oficial calculada todos os dias pelo Banco Central.

Na prática, a moeda americana saiu de R$ 5,50 no fim de 2025 para R$ 4,99. Apenas 2016, com 19,81%, e 2025, com 12,54%, superam o ganho atual na comparação com anos fechados — e 2026 ainda tem quase três meses para correr.

O que está derrubando a moeda americana

O gatilho mais recente é político. O mercado reagiu ao resultado do 1º turno, em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aposta de um governo mais disciplinado no trato das contas públicas e, por consequência, de um ambiente mais favorável a negócios e à renda variável.

O movimento já havia ficado claro na primeira sessão depois da votação, quando o dólar desabou mais de 4% e rompeu a barreira de R$ 5, caindo de R$ 5,22 para R$ 5 em um único dia.

A eleição explica só parte da conta

O ano inteiro, porém, foi construído sobre fatores mais lentos. A Selic em nível elevado mantém o investimento em reais atrativo e puxa capital estrangeiro, cujo fluxo para ativos brasileiros amplia a oferta de dólares no mercado interno e empurra a cotação para baixo.

Soma-se a isso uma balança comercial favorável: o país segue com superavit, e as exportações funcionam como porta de entrada permanente de divisas. No front externo, a expectativa de juros menores nos Estados Unidos tirou força da moeda americana diante de todo o resto do mundo, não só do real.

Uma moeda que historicamente perde mais do que ganha

O desempenho de 2026 é bom, mas destoa da regra. Desde 1999, quando o Brasil adotou o câmbio flutuante, foram 16 anos de desvalorização contra 11 de valorização nos 27 períodos completos até 2025. Com o parcial deste ano, o placar vai a 12 períodos de ganho.

Na série aberta em 1999, a alta atual aparece apenas na 7ª posição, atrás de 2009 (34,22%), 2003 (22,29%), 2007 (20,70%), 2016 (19,81%), 2005 (13,40%) e 2025 (12,54%). A história também registra sequências longas nas duas direções: cinco anos consecutivos de valorização entre 2003 e 2007 e cinco anos seguidos de perda entre 2011 e 2015.

O buraco de 2024 ainda não foi tapado

Em 2024, o real derreteu 21,82% ante o dólar. Recuperou 12,54% em 2025 e voltou a avançar neste ano, mas os R$ 4,99 de 7 de outubro continuam acima dos R$ 4,84 do fim de 2023 — ou seja, dois anos de recuperação ainda não compensaram integralmente a perda de um só.

Reversões abruptas, aliás, são marca da série: em 2002 o real teve a maior queda do período, de 34,33%, e subiu 22,29% no ano seguinte; em 2008 perdeu 24,21% e, em 2009, entregou a maior valorização anual já registrada.