O dólar abriu em queda nesta quinta-feira (2), recuando 0,21% para R$ 5,1982 por volta das 9h, enquanto investidores aguardam o payroll — relatório oficial do emprego nos Estados Unidos —, principal evento do dia para os mercados financeiros globais.
A expectativa é de que o documento aponte a criação de 115 mil vagas de emprego em junho nos EUA. Os dados serão usados pelo Federal Reserve para calibrar a política monetária americana, com possíveis impactos sobre o futuro dos juros no país.
No Brasil, as sanções anunciadas pelo governo Trump contra brasileiros e empresas com suposta ligação ao PCC adicionam um fator de incerteza ao pregão desta quinta.
O que esperar do payroll desta quinta
O payroll de junho será divulgado nesta quinta e projeta a criação de 115 mil vagas de trabalho nos EUA. Trata-se de um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado global: o Federal Reserve usa o relatório como termômetro da economia americana para balizar decisões sobre a taxa básica de juros.
Na agenda do dia também constam os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA e a taxa de desemprego da zona do euro, ampliando o painel de dados sob observação dos investidores nesta sessão.
O histórico recente reforça a atenção dos mercados. No início de junho, quando o payroll americano superou em mais do dobro as expectativas — 172 mil vagas contra projeção de 85 mil —, o dólar disparou para R$ 5,12; é esse histórico que calibra a cautela antes do relatório desta semana.
Na véspera, o câmbio já fechou em alta pressionado pelo déficit primário recorde de R$ 56,1 bilhões e pelo JOLTS americano, que apontou resiliência no mercado de trabalho dos EUA — contexto que amplifica a importância do payroll para definir a direção do câmbio.
Sanções dos EUA miram rede do PCC
O Departamento do Tesouro norte-americano formalizou na quarta-feira (1º) sanções contra dois brasileiros, três empresas baseadas no Brasil e uma empresa portuguesa, todos com suposta ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Com as medidas, os bens dos alvos nos EUA são bloqueados.
No comunicado, o governo Trump classificou o PCC como a "maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental" e apontou que a facção representa uma "ameaça significativa à segurança nacional dos EUA". A acusação inclui o uso do sistema financeiro norte-americano para lavagem de dinheiro.
Segundo Washington, os sancionados integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro investigada na Flórida. Em janeiro deste ano, outros seis acusados de participar da mesma rede foram presos no estado americano.
Bolsas asiáticas no vermelho com onda de vendas em chips
Os mercados asiáticos fecharam majoritariamente em queda nesta quinta-feira, pressionados por uma forte onda de vendas entre fabricantes de semicondutores. Na China, o CSI 300, índice das maiores companhias de Xangai e Shenzhen, recuou 2,96%, enquanto o SSEC, índice de Xangai, fechou em baixa de 2,03%.
A queda foi mais acentuada na Coreia do Sul, onde o Kospi despencou 7,89% — o maior recuo entre as praças monitoradas. No Japão, o Nikkei caiu 2,47%. Em sentido contrário, o Hang Seng, de Hong Kong, fechou em alta de 0,76%, sendo a única exceção positiva da região.
No Brasil, o Ibovespa — principal índice da bolsa brasileira — tem início de pregão previsto para as 10h desta quinta-feira, com investidores atentos ao impacto dos dados externos sobre os ativos domésticos.
