Economia

Dólar desaba mais de 4% e rompe a barreira de R$ 5 após Flávio liderar o 1º turno

Moeda caiu a R$ 4,99 na abertura desta segunda, com o mercado precificando a guinada à direita no placar eleitoral
Gráfico simboliza o dólar abaixo de R$ 5 com cédulas caindo e urna eleitoral ao fundo

O dólar abriu a semana em forte queda e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5. Às 9h48 desta segunda-feira (5), a moeda norte-americana recuava 4,24%, cotada a R$ 4,994.

O movimento é a resposta imediata do mercado financeiro ao resultado do 1º turno das eleições, em que Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Queda ganhou força nos primeiros minutos

A desvalorização foi mais intensa no início da sessão: por volta das 9h35, o recuo chegava a 4,52%, com a moeda em R$ 4,98. A mínima registrada no dia até então foi de R$ 4,974.

A referência de R$ 5 funciona como marca psicológica para o câmbio brasileiro, e romper esse piso na abertura de uma segunda-feira sinaliza quanto do resultado eleitoral o mercado ainda não havia colocado no preço.

O placar que mexeu com o câmbio

No 1º turno, Flávio Bolsonaro somou 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. Nenhum dos dois alcançou a maioria absoluta, e a decisão ficou para o 2º turno, marcado para 25 de outubro.

O desempenho do senador do PL superou o do próprio pai: Flávio recebeu 5 milhões de votos a mais que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) obteve em 2022. O pleito de 2026 consolidou, assim, uma guinada à direita no cenário político nacional.

O recado estava nas pesquisas

A reação do câmbio não surgiu do nada. Semanas antes do 1º turno, o páreo já aparecia esticado nas pesquisas: enquanto a Quaest dava folga a Lula, a AtlasIntel chegou a colocar Flávio Bolsonaro numericamente à frente em cenário de 2º turno — um prenúncio do resultado que agora derrubou o dólar.

O que está em jogo até 25 de outubro

Com dois nomes separados por menos de dois pontos percentuais e três semanas de campanha pela frente, o câmbio tende a seguir funcionando como termômetro diário da corrida presidencial. Cada rodada de pesquisa e cada debate passam a ter leitura imediata na tela de cotações.

Para quem está fora do mercado, o efeito prático aparece em passagens aéreas, viagens, eletrônicos importados e insumos cotados em dólar — itens que respondem rápido a oscilações como a desta segunda.