Economia

Dólar cai nesta terça à espera de dado de emprego nos EUA

Estreito de Ormuz volta ao radar com plano iraniano de bloqueio; Petrobras registra alta de 96,8% no lucro
Bandeira dos EUA ao lado de placa do Copom e barris de petróleo, enquanto mercado aguarda dados de emprego dos EUA

O dólar comercial abriu em queda na terça-feira (4), recuando 0,21% por volta das 9h e cotado a R$ 5,0764. Na sexta-feira (7), a moeda voltou a recuar, com queda de 0,18% perto das 9h, cotada a R$ 5,0980.

Na terça, o mercado repetiu a cautela da véspera e aguardava o dado de emprego dos Estados Unidos, divulgado no mesmo dia, que deveria orientar os próximos passos do Federal Reserve. Na sexta-feira (7), é o payroll — principal relatório de emprego americano — que domina as atenções, com nova leitura sobre o desempenho da atividade econômica dos EUA.

Em Brasília, o Copom se reuniu na quarta (5) com expectativa de corte na Selic, a 14% ao ano, enquanto o Ibovespa abriu na terça às 10h sob influência da tensão entre EUA e Irã no mercado de petróleo.

Semana decisiva para os juros nos dois lados do Atlântico

Na semana passada, o Federal Reserve optou por manter os juros americanos inalterados diante de um mercado de trabalho ainda aquecido — o que tornava o dado de emprego divulgado na terça-feira (4) decisivo para antecipar os próximos passos do banco central americano. Na sexta-feira (7), o payroll traz nova atualização sobre esse cenário. No Brasil, o mercado também monitorou a Pesquisa Industrial Mensal e a temporada de balanços corporativos.

Estoque de mísseis dos EUA acende alerta

Fontes ouvidas pela agência Reuters afirmaram na terça (4) que o Exército americano já usou praticamente todo o estoque de mísseis de precisão de longo alcance na guerra contra o Irã, sem detalhar quantas unidades de cada tipo ainda restam. É a primeira vez que um estoque baixo desses mísseis foi constatado desde o início do confronto, que completou seis meses em agosto sem previsão de término — em julho, a imprensa americana já havia revelado escassez de baterias de defesa aérea Patriot.

No sábado (1/8), o presidente dos Estados Unidos disse que suspenderia um novo ataque ao Irã caso um acordo fosse fechado rapidamente para interromper o programa nuclear iraniano e reabrir o Estreito de Ormuz. Israel se juntaria à negociação, segundo o republicano, mas o governo israelense não comentou o episódio. Já o Irã negou, pela agência estatal Mehr, ter pedido a pausa nos ataques, chamando a fala de Trump de “nova mentira” e afirmando que suas forças seguem “em alerta máximo”.

Petróleo e bolsas asiáticas refletem otimismo cauteloso

O otimismo com uma possível reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo, contrasta com o cenário de três semanas atrás, quando Trump anunciou um bloqueio naval ao Irã e impôs uma taxa de 20% sobre toda carga que cruzasse a rota estratégica. Na sexta-feira (7), porém, a percepção arrefeceu: notícias de que o parlamento iraniano estuda proibir a entrada de embarcações americanas, israelenses e de países considerados hostis no canal voltaram a pesar sobre o mercado. Segundo a Reuters, o Irã quer ter “controle total” sobre o tráfego de navios comerciais na via e poder para intervir quando julgar necessário — o que aumenta a percepção de que a reabertura total do Estreito deve ser adiada e acende novas preocupações com a oferta global de petróleo e uma eventual crise de energia.

Os investidores também repercutem na sexta-feira (7) os resultados da Petrobras: na quinta-feira (6), a companhia reportou um aumento de 96,8% no lucro do segundo trimestre, para R$ 52,4 bilhões, impulsionado pelo aumento da produção, pelas maiores exportações de petróleo e pela forte alta das cotações internacionais da commodity.

O mercado aguardava a decisão do Copom na quarta-feira (5), com expectativa de mais um corte na Selic, que levaria a taxa básica de juros a 14% ao ano. Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta na sexta-feira (7): o CSI 300 avançou 0,9%, o índice de Xangai (SSEC) subiu 1% e o Hang Seng, de Hong Kong, valorizou 0,5%, impulsionados por dados comerciais melhores do que o esperado na região. Já o Nikkei, do Japão, recuou 0,12%, e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 0,6%.