O dólar abriu esta terça-feira (11) em queda de 0,10%, cotado a R$ 5,1053 por volta das 9h, enquanto o mercado brasileiro aguarda dois indicadores decisivos: os novos dados da inflação de julho e a ata da última reunião do Copom.
As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, começam às 10h, também sob influência das incertezas globais sobre o Estreito de Ormuz e a guerra no Oriente Médio.
Inflação e ata do Copom no radar doméstico
O IPCA de julho mostrou nova desaceleração da inflação brasileira, com alta de 0,07% no mês, ante avanço de 0,16% em junho. O dado reforça a leitura de que o processo de queda de preços segue em curso, ainda que em ritmo mais lento.
A ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça, também entra no radar dos investidores. No documento, o Banco Central afirmou que vai reagir “com firmeza” caso a volatilidade dos preços do petróleo afete a oferta da commodity e pressione os preços no Brasil. Na semana passada, o colegiado cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano — mesma semana em que o mercado já operava sob a combinação de tensão no Oriente Médio e expectativa doméstica sobre os juros que volta a orientar o pregão desta terça.
Também compõe o cenário local o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Nesta terça, a ApexBrasil lança um plano para ampliar a presença de itens nacionais em novos mercados, com foco nos setores atingidos pelas taxas americanas e na diversificação das exportações do país.
Impasse no Estreito de Ormuz mantém petróleo em alerta
No exterior, as incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz continuam a pesar sobre os mercados. No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para liberar a passagem de embarcações pela rota, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, disse que o país e Omã estão “muito perto” de um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo estreito.
Na segunda-feira (10), Donald Trump ironizou o pedido de indenização do Irã e afirmou, em post no Truth Social, que passará a exigir compensação de Teerã “por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente” em conflitos e ataques ao longo dos últimos anos. O presidente americano também reivindicou, segundo a Bloomberg, o controle do Estreito de Ormuz — declaração que Teerã negou. O Irã continuou a lançar ataques intermitentes a navios que transitam pelo canal, e o número de embarcações monitoradas no Estreito recuou para oito na terça-feira (11), o menor nível em uma semana. O impasse reacende dúvidas sobre a oferta global de petróleo — mesmo cenário que, em julho, levou Trump a anunciar um bloqueio naval ao Estreito de Ormuz e uma taxa de 20% sobre toda carga que passasse pelo canal.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em queda na terça-feira (11): o CSI 300 e o índice de Xangai recuaram 0,8% cada, e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,1%. O Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,73%, enquanto o Nikkei, do Japão, permaneceu fechado. Na quarta-feira (12), o humor se inverteu: o CSI 300 avançou 0,6% e o índice de Xangai subiu 0,3%, impulsionados por ganhos em tecnologia e mobiliário; o Kospi disparou 3,68% e o Nikkei ganhou 0,83%, enquanto o Hang Seng ainda recuou 0,8%.
Na abertura desta quarta-feira (12), o dólar voltou a recuar 0,10%, cotado a R$ 5,1556 perto das 9h. Os investidores passaram a acompanhar os dados de inflação dos Estados Unidos — o CPI de julho, com previsão de alta de 0,1% no mês, segundo a Reuters — e a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, que apontou estabilidade no volume do setor em junho na comparação mensal e alta de 2% em relação ao mesmo período de 2025, resultado abaixo do esperado pelo mercado.