O calor extremo durante a gravidez favorece o parto prematuro e o nascimento de bebês com baixo peso, afirmou nesta segunda-feira (5) o chefe de Clima da ONU, Simon Stiell, na abertura do fórum preparatório da COP31, em Nadi, Fiji.
Stiell citou uma nova pesquisa segundo a qual mais de dois terços dos profissionais de saúde ouvidos em cinco continentes observaram complicações provocadas pelo calor intenso nos últimos cinco anos. A conferência do clima será realizada em novembro.
O Pacífico cobra uma transição justa
A ministra do Clima de Fiji, Lynda Tabuya, pediu que os países industrializados sustentem uma transição justa para a energia renovável, com assistência direta às nações mais expostas ao aquecimento. Em declarações a jornalistas, ela exigiu compromissos de corte de emissões de gases de efeito estufa e de abandono dos combustíveis fósseis — e não uma transição qualquer.
A região é uma das mais vulneráveis do planeta: a elevação do nível do mar ameaça moradias e o branqueamento atinge os corais. Um relatório da ONU divulgado em agosto aponta que o mar sobe em ritmo recorde, por causa do aquecimento dos oceanos e do derretimento das geleiras.
O mesmo documento projeta até 1,2 bilhão de pessoas deslocadas até 2050, com ilhas do Pacífico sujeitas a aumentos duas vezes superiores à média mundial — número que dialoga com o alerta de que a cota de carbono restante do planeta pode se esgotar em menos de três anos no ritmo atual de emissões.
A conta que não fecha
Os países em desenvolvimento precisam de 310 bilhões a 365 bilhões de dólares para se adaptar aos efeitos da crise climática. Em 2023, contavam com 26 bilhões. A pressão por recursos previsíveis repete o que o secretário-geral da ONU já havia feito ao cobrar resultados concretos de financiamento na COP30, em Belém.
Fórum cheio de alertas e vazio de líderes
O ministro de Mudanças Climáticas da Austrália, Chris Bowen, que preside as negociações da COP31, disse que o encontro convoca o mundo a unir ambição e ação. As próprias autoridades, porém, admitiram que a lista de convidados ficou menor do que esperavam: apenas um pequeno grupo de líderes mundiais confirmou presença. Em setembro, Camberra anunciara 4.000 participantes de 60 países, sem detalhar quem. Nas ruas de Nadi, segundo o relato do g1, a maioria das pessoas parecia não saber que um fórum mundial estava em andamento.
Entre os presentes está o chanceler nepalês, Shisir Khanal, cujo país enfrentou em agosto um desastre causado pelo derretimento de gelo no Himalaia, com quase 1.500 mortos e mais de 5.800 desaparecidos no Nepal e na China.
Tuvalu já perdeu dois atóis
Tuvalu, de baixa altitude, mantém planos para transferir toda a sua população caso o território seja coberto pelo oceano. Dois de seus nove atóis de coral já desapareceram sob o mar. A elevação não é uma ameaça futura, é uma realidade presente, declarou o primeiro-ministro Feleti Teo na recente Assembleia Geral da ONU, ao pedir ação coletiva imediata.
A Austrália, grande exportadora de carvão, é acusada por ativistas de discurso duplo à frente das negociações. Ao se preparar para presidir a COP31 em parceria com o Pacífico, o país precisa fazer muito mais para transformar sua retórica em ações reais, afirmou Shiva Gounden, chefe do Greenpeace para o Pacífico.