Meio ambiente

Estudo aponta que impactos mais graves das mudanças climáticas podem começar em 3 anos

Relatório científico alerta para intensificação de eventos extremos e cobra ações urgentes de governos antes da COP30

Um novo estudo indica que os efeitos mais severos das mudanças climáticas podem se manifestar já em 2028, caso não haja ações urgentes e coordenadas. O relatório destaca riscos como aumento de temperatura, elevação do mar e eventos extremos, afetando biodiversidade e segurança alimentar. O alerta surge a poucos meses da COP30, enquanto apenas uma minoria dos países apresentou planos climáticos compatíveis com o Acordo de Paris.

Principais conclusões do estudo

O relatório evidencia que o planeta está aquecendo em ritmo acelerado, com o aquecimento global causado pelo homem atingindo 1,36°C em 2024. Isso elevou a temperatura média global para 1,52°C acima dos níveis pré-industriais, ultrapassando o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris para evitar os piores impactos climáticos. O estudo prevê que, mantendo-se as emissões atuais, a cota de carbono restante será esgotada em menos de três anos.

Entre as consequências apontadas estão o aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, elevação do nível do mar e deslocamento de milhões de pessoas, especialmente em regiões vulneráveis como a África, que enfrenta sua crise climática mais mortal em mais de uma década. A insegurança alimentar e problemas de saúde relacionados ao clima também devem crescer.

Baixa adesão aos compromissos climáticos

Apesar da urgência, apenas 25 países – responsáveis por cerca de 20% das emissões globais – apresentaram seus planos nacionais atualizados à ONU. Desses, somente o plano do Reino Unido é considerado compatível com o Acordo de Paris. No G20, apenas Canadá, Brasil, Japão, Estados Unidos e Reino Unido entregaram planos para 2035, mesmo o grupo sendo responsável por 80% das emissões globais.

Desafios e recomendações para o futuro

O estudo recomenda a adoção imediata de políticas públicas eficazes, investimentos em energias renováveis e cooperação internacional para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Também destaca a necessidade de acesso rápido a dados climáticos confiáveis para embasar decisões políticas e investimentos.

Os cientistas enfatizam que cada tonelada de emissão conta para limitar o aquecimento global. Eles apontam que alinhar planos climáticos com objetivos de desenvolvimento pode tirar 175 milhões de pessoas da pobreza. No entanto, apenas 10 dos planos apresentados reafirmam o compromisso de abandonar combustíveis fósseis, o que coloca pressão sobre países como União Europeia, China e Índia para liderarem esforços mais ambiciosos.

Eventos como a Semana Climática da UNFCCC em Adis Abeba e a presidência da África do Sul no G20 são vistos como oportunidades para impulsionar o financiamento e o apoio à transição para uma economia de baixo carbono, especialmente em países em desenvolvimento. Os especialistas esperam que mais países apresentem planos ambiciosos antes da COP30, fechando a lacuna entre o reconhecimento da crise e ações efetivas para enfrentá-la.

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