O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que toda COP apresenta desafios e pediu que a COP 30, em Belém, entregue resultados fortes na agenda climática.
Simon Stiell, chefe da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, destacou a necessidade de novos planos para corte de emissões e financiamento robusto para países vulneráveis.
A conferência, marcada para novembro de 2024, é vista como crucial para fortalecer compromissos do Acordo de Paris e acelerar ações contra o aquecimento global.
Desafios e expectativas para a COP 30
O secretário-geral da ONU, António Guterres, ressaltou que cada edição da COP traz obstáculos próprios, mas destacou que a COP 30, em Belém, precisa apresentar avanços significativos, especialmente na redução de emissões e no financiamento climático. A escolha de Belém como sede é considerada estratégica para evidenciar a importância da Amazônia e ampliar a participação dos países amazônicos.
Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para o Clima, afirmou durante a Climate Week, em Nova York, que a conferência deve responder com novos planos nacionais de corte de emissões (NDCs), garantir 1,3 trilhão de dólares anuais em financiamento acessível e mostrar benefícios reais à população. Ele enfatizou que a COP 30 não pode se limitar a intenções e precisa impulsionar implementação rápida e ampla, especialmente em setores ainda pouco engajados.
Stiell lembrou que, sem cooperação climática, o planeta caminhava para 5°C de aquecimento, mas que hoje a projeção está mais próxima de 3°C, embora ainda acima do ideal. O limite de 1,5°C, estabelecido pelo Acordo de Paris em 2015, já foi superado em 2024, atingindo 1,6°C, segundo dados recentes.
Financiamento climático e compromissos internacionais
Stiell destacou a urgência de um roteiro financeiro robusto para apoiar principalmente países mais pobres, que enfrentam impactos severos das mudanças climáticas e têm menos recursos para adaptação. A União Europeia, por exemplo, optou por apresentar uma carta de intenção em vez de uma meta climática fechada para 2035, sinalizando compromisso político sem obrigatoriedade imediata.
O chefe da ONU para o Clima reforçou que a COP 30 deve mostrar que o multilateralismo climático ainda produz resultados concretos e que a ação climática precisa impactar diretamente a vida das pessoas, com melhores empregos, qualidade de vida, ar limpo, alimentação segura e energia acessível.
Relatórios do IPCC indicam que, mesmo com 1,5°C de aquecimento, já há perdas consideráveis, mas os riscos aumentam drasticamente com 2°C ou mais. A lógica é clara: quanto menor o aquecimento, menores os riscos para ecossistemas e saúde humana. A COP 30, portanto, será um teste para a capacidade de cooperação internacional diante da crise climática.