O Atlético-MG encerrou o contrato com a H2 Bet, patrocinadora máster do clube, pressionado pelo prazo final da medida provisória que proibiu cassinos on-line, apostas esportivas e toda a publicidade do setor no Brasil. O limite para os clubes se adequarem venceu nesta segunda-feira (5).
Era o maior acordo comercial da história atleticana e um dos maiores do futebol brasileiro: firmado em dezembro de 2024 e válido até o fim de 2027, poderia superar R$ 200 milhões. A parceria durou 1 ano e 10 meses.
A marca apareceu pela última vez no peito atleticano no sábado (3), na vitória sobre o RB Bragantino pelo Campeonato Brasileiro. Além do espaço nobre do uniforme masculino, a H2 Bet estampava os kits de treino, a camisa do time feminino e o canal do clube no YouTube — todos agora vagos.
A conta da MP chega ao vestiário
A ruptura decorre diretamente da MP assinada por Lula em 25 de setembro, que proibiu cassinos on-line e apostas esportivas e deu até 5 de outubro para o fim da publicidade e dos patrocínios ligados ao setor.
Em nota conjunta, clube e empresa atribuíram o fim do contrato às restrições da medida. “O H2bet informa o encerramento de sua parceria de patrocínio com o Clube Atlético Mineiro, em decorrência das restrições estabelecidas pela Medida Provisória do Governo”, diz o texto, que se despede da arquibancada: “Obrigado, Atlético. Obrigado, Massa.”
O clube mineiro não é o único atingido: dias antes, São Paulo, Ponte Preta, Guarani, Vitória e Portuguesa pediram ao STF um ano de adaptação à MP das bets, alertando até para o risco de parada do Brasileirão.
Estatais mineiras entram para tapar o buraco
O Governo de Minas Gerais anunciou R$ 32 milhões em patrocínios de empresas estatais para os três grandes do estado — Atlético, Cruzeiro e América. Ao Atlético cabem R$ 15 milhões, uma fração do que a casa de apostas injetava por temporada no caixa alvinegro.
A diretoria já procura uma nova empresa para o espaço principal da camisa, e com pressa: a intenção é entrar em campo com outro patrocinador no peito já na próxima partida.
O futebol perde uma fonte de receita inteira
O contrato rescindido era apenas um pedaço de um fenômeno maior: as casas de apostas injetaram R$ 1,1 bilhão nos 20 maiores clubes do Brasil em 2025, dinheiro que agora desaparece do orçamento do futebol nacional de uma vez.