Esporte

Justiça barra patrocínio da Fatal Fans e dá 15 dias para Corinthians tirar marca do calção

Liminar da Vara da Infância do Tatuapé atinge contrato de R$ 22 milhões e exige verificação de idade no site da plataforma
Justiça suspende patrocínio Fatal Fans Corinthians e exige retirada da marca do calção em 15 dias

O Corinthians tem 15 dias para apagar a marca da Fatal Fans de uniformes, espaços esportivos e canais digitais. A ordem partiu da Vara da Infância e Juventude do Tatuapé, em São Paulo, que concedeu na quinta-feira (1º) liminar em ação do Ministério Público paulista.

Além de suspender a exibição do patrocínio, a decisão obriga a adoção de mecanismos eficazes de verificação de idade para bloquear o acesso de crianças e adolescentes ao site da plataforma de conteúdo adulto. O processo corre sob segredo de justiça.

Por que o juízo da infância entrou no caso

A decisão não discutiu a legalidade do serviço prestado pela empresa, e sim o ambiente em que a marca circula. Para a Vara da Infância e Juventude do Tatuapé, a publicidade da plataforma alcança um público expressivo de crianças e adolescentes.

Esse alcance, de acordo com a liminar, cria risco de dano à integridade emocional, à dignidade e ao desenvolvimento desse grupo — justificativa considerada suficiente para tirar o logotipo de circulação antes de qualquer julgamento de mérito.

A ação do Ministério Público do Estado de São Paulo foi precedida por um inquérito aberto em setembro, um mês antes da decisão, para apurar se a exibição da marca representava risco ou violação dos direitos de crianças e adolescentes.

Um contrato de R$ 22 milhões no calção

Firmado em junho de 2026, o acordo projetava repasses de R$ 22 milhões ao Corinthians e levou a marca ao calção do time masculino de futebol. Em setembro, o clube já havia precisado mudar o lado de exibição do logotipo: a Nike, fornecedora de material esportivo, não queria a marca do patrocinador dividindo espaço com a sua. A solução foi deslocar a publicidade para o lado direito da peça, acima do escudo alvinegro.

Futsal, basquete e uma exceção no feminino

O patrocínio não ficava restrito ao futebol masculino: a marca também apareceu nos uniformes das equipes de futsal e de basquete. No futebol feminino, a empresa optou por ceder o espaço a uma campanha de conscientização sobre violência contra a mulher, em vez de estampar o próprio nome.

Nessa frente, a plataforma ainda se dispôs a pagar os salários da atacante Gisela Robledo, cuja renovação de contrato vai até 31 de agosto de 2027. A liminar, ao alcançar canais digitais e espaços esportivos do clube, atinge todas essas vitrines.

Um padrão que se repete

Não é a primeira vez que a Justiça brasileira fixa prazo para blindar menores de publicidade considerada inadequada: em 2025, o YouTube recebeu 60 dias para implementar mecanismos de proteção a crianças contra publicidade abusiva. A exigência de verificação de idade segue a mesma lógica: transferir à plataforma o ônus de provar quem está do outro lado da tela.

Procurado por mensagem na sexta-feira (2) pelo Poder360, o Corinthians não havia se manifestado sobre o caso até a publicação da reportagem.