Economia

Usina solar em terreno ocioso de Brasília passa a cobrir 100% da energia do TSE

Créditos injetados na rede da distribuidora devem poupar R$ 62 mil por mês ao tribunal pelos próximos 30 anos
Painéis fotovoltaicos ao entardecer ilustram a usina solar do TSE, com a sede do tribunal ao fundo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai atravessar o primeiro turno das Eleições 2026, neste domingo (4), com todo o consumo de eletricidade abatido por geração solar — a primeira vez que o tribunal opera nessa condição.

A energia sai de uma usina fotovoltaica ligada na segunda-feira (28) em Brasília, perto da primeira casa onde Juscelino Kubitschek morou, erguida num terreno que a Terracap considerava inviável para aproveitamento imobiliário convencional.

Como a conta do tribunal encolhe

O TSE consome em média 582,8 mil kWh por mês e paga cerca de R$ 576,6 mil pela eletricidade. A nova geração deve derrubar esse gasto em torno de 11,5%, o equivalente a R$ 62 mil mensais e R$ 745,3 mil por ano.

O arranjo é de geração compartilhada: a usina não precisa ficar no mesmo endereço de quem consome. O que ela produz é injetado na rede da distribuidora e vira crédito, usado depois para abater o consumo registrado no órgão beneficiado.

Duas estatais do DF por trás do projeto

O parque ocupa área da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) e foi montado em parceria com a CEB Participações, ambas empresas públicas do Distrito Federal. A escolha do terreno partiu da dificuldade de usá-lo para construção, o que o deixaria ocioso.

“O empreendimento é fruto de uma parceria entre Terracap e CEB, empresas públicas que têm investido em geração de energias limpas, contribuindo para a sustentabilidade e para crescimento econômico do Distrito Federal”, disse ao g1 o presidente da Terracap, Júlio César Reis.

Nove hectares de painéis

A usina chegou a 4 megawatts-pico (MWp) de potência instalada, com 5.628 painéis espalhados por cerca de nove hectares — área próxima à de nove campos de futebol. A previsão é produzir 7,7 gigawatts-hora por ano.

Esse volume daria para abastecer aproximadamente 1.830 residências com quatro moradores e consumo médio de 350 kWh mensais, segundo os cálculos do projeto.

O que deixa de ir para a atmosfera

Com vida útil estimada em 30 anos, a geração pode evitar a emissão de cerca de 18,5 mil toneladas de gás carbônico. Descontado o que foi emitido para fabricar, instalar e operar o próprio parque, o saldo positivo cai para 10,6 mil toneladas de CO₂ — equivalente ao carbono absorvido por aproximadamente 176 mil mudas de árvores.

O TSE também não é pioneiro entre as cortes superiores de Brasília: o Supremo Tribunal Federal (STF) já mantém em operação uma usina de 3,5 MWp no mesmo modelo.