O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o governo discute com o Banco Central uma medida para proibir os bancos de dar mais de um cartão de crédito por pessoa.
A declaração foi feita em entrevista ao Flow Podcast, gravada no Palácio da Alvorada na quinta-feira (1º). Para Lula, é preciso “moralizar” o crédito no país diante do nível de endividamento da população.
“Cartão de crédito é um crime”, diz o presidente
A crítica de Lula se concentrou na oferta não solicitada de cartões pelas instituições financeiras. “Os bancos hoje distribuem cartão de crédito sem saber se você quer. Ele manda para você”, afirmou. Para o presidente, o efeito só aparece na fatura: “O povo gasta com mais facilidade no cartão de crédito. E ele só vai ver o rombo no final”.
Ele colocou o Pix na mesma conta ao descrever o que chamou de “desgraça” dos meios de pagamento digitais: “você gasta sem ver dinheiro”. O argumento conecta a discussão sobre limitar o número de cartões a uma preocupação mais ampla com educação financeira e comportamento de consumo.
A ideia não surgiu do nada: uma semana antes, Lula já havia prometido fiscalizar o uso do Pix pelos bancos e mudar as regras do cartão de crédito.
Para ilustrar o ponto, o presidente recorreu a uma experiência própria. Contou que contratou um cartão internacional no Bradesco para o PT e, com ele, comprou um charuto de US$ 200 que nunca tivera coragem de pagar à vista. “No dia em que eu não tinha o dinheiro, tinha o cartão de crédito, eu fui lá e comprei”, disse.
Frente que se soma ao combate às dívidas
A proposta do cartão único se soma a outra frente já em discussão no governo: um programa para unificar dívidas de pessoas físicas com desconto de até 80% para quem ganha até três salários mínimos. Nenhuma das duas iniciativas tem prazo anunciado, e a restrição ao número de cartões depende do Banco Central, que regula a concessão de crédito no país.
Entrevista no horário do debate cancelado
A conversa com o podcast ocorreu no mesmo horário previsto para o debate entre os candidatos à Presidência na TV Globo. Lula havia avisado na quarta-feira (30) que não compareceria e classificou o encontro como “infrutífero”. Flávio Bolsonaro (PL) também desistiu, após decisões judiciais alterarem as regras. Sem os dois, a emissora cancelou o evento.