Economia

Lula promete fiscalizar bancos no uso do Pix e mudar regras do cartão de crédito

Em evento de campanha em Alagoas, presidente ligou o crédito fácil ao endividamento das famílias e reforçou que vai banir as bets
Ilustração simbólica sobre fiscalização do Pix e cartão de crédito, com prédio bancário e skyline de Maceió ao fundo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o governo vai mexer nas regras de crédito e colocar sob fiscalização a forma como os bancos operam o Pix e o cartão de crédito, com o objetivo declarado de conter o endividamento das famílias.

A fala foi feita na quinta-feira (24), em evento de campanha em Alagoas. O pacote deve ser apresentado nesta sexta-feira (25), em São Paulo, e inclui o fim das plataformas de apostas on-line.

Crédito que chega sem ser pedido

Lula concentrou a crítica na facilidade de gastar sem ver o dinheiro sair do bolso. “A gente não vê dinheiro, a gente vai gastando. E agora você não precisa pedir cartão de crédito, o banco manda pra você”, afirmou. “Então, também nós vamos tomar medida com relação a isso. Não é possível.”

O Pix entrou na mesma conta. Para o presidente, a instantaneidade do pagamento digital apaga a noção de gasto. “Também é preciso a gente fiscalizar um pouco como é que eles manuseiam o Pix”, disse, em referência aos bancos. “Cê não põe a mão no bolso, cê não pega dinheiro, é só ir pagando. Tudo isso a gente vai dar uma mudada.”

A linha entre dívida útil e “bobagem”

O petista fez questão de dizer que não pretende fechar a torneira do crédito. Endividar-se para comprar um bem ou reformar a casa segue legítimo, na avaliação dele; o alvo são os gastos com jogos e o que classificou como “bobagem”.

A preocupação com a inadimplência não é nova no discurso do governo: o endividamento recorde virou pauta eleitoral já em abril, quando dados mostraram 80,4% das famílias brasileiras com dívidas ativas e 81,7 milhões de adultos com o nome negativado.

Compra de dívidas ficaria para o próximo mandato

Entre as propostas em discussão está um programa em que o governo compraria dívidas de pessoas físicas já classificadas como perda pelos bancos, ou próximas disso. Em entrevista ao UOL, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que a aquisição envolveria descontos elevados e não sairia do papel em 2026 — a execução dependeria de um novo mandato, a partir de 2027.

A ideia é um desdobramento do pacote de renegociação em elaboração desde abril, que já previa unificar débitos com abatimentos de até 80%.

Bets no alvo, futebol na defensiva

No mesmo discurso, Lula reafirmou que quer acabar com as apostas on-line, que tratou como fonte de endividamento e de problemas sociais. Sobrou também para os clubes que se manifestaram contra o fim das plataformas.

“O torcedor pobre faz um sacrifício, compra entrada, vai no estádio, compra uma camisa do time pra ele, pro filho dele”, disse o presidente. “E aí o time acha que é o torcedor que tem que se viciar em jogo pra dar dinheiro pro time, pra pagar o salário caro.”

A medida provisória em análise prevê a proibição das bets e uma linha de crédito com juros mais baixos para os clubes, como forma de amortecer a perda de patrocínios.