Política

Lula chama tarifas comerciais de ‘chantagem’ em discurso na ONU

Presidente disse que a OMC 'respira por aparelhos' e afirmou que as exportações brasileiras crescem apesar do tarifaço
Lula na ONU: presidente chama tarifas dos EUA de chantagem durante discurso na Assembleia Geral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu à tribuna da ONU nesta terça-feira (22) com um recado sobre comércio: tarifa virou arma. Ele classificou as barreiras comerciais como instrumento de chantagem, de “consequências nefastas”.

No mesmo discurso, o petista afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) “respira por aparelhos” diante da imposição de tarifas comerciais injustas — sem citar os Estados Unidos nesse trecho.

Tarifa como arma, não como tributo

O enquadramento escolhido por Lula desloca a tarifa do terreno técnico para o político: não se trata de alíquota, mas de pressão. Ao falar em chantagem e em consequências nefastas, o presidente descreveu o comércio internacional como um campo em que a barreira tarifária cumpre função de coerção.

A crítica veio acompanhada de um diagnóstico institucional. Para o petista, a OMC “respira por aparelhos” — imagem que aponta para o esvaziamento do árbitro global das disputas comerciais diante de medidas impostas por fora das regras multilaterais.

Nesse ponto do pronunciamento, o presidente não nomeou os Estados Unidos. Também não é a primeira vez que ele usa o palco da Assembleia Geral para defender o multilateralismo: no ano passado, em meio à crise diplomática com Washington, já havia feito discurso semelhante pedindo a reforma do organismo.

Exportações crescem apesar do tarifaço, diz o presidente

Em outro momento da fala, Lula afirmou que as exportações brasileiras estão em alta mesmo com o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos a produtos do país. O argumento funciona como contraponto prático à tese de que a sobretaxa americana teria capacidade de dobrar a economia brasileira.

O vocabulário do discurso tem histórico recente. A palavra “chantagem” não é escolha isolada: o presidente já a havia empregado para descrever a pressão tarifária sobre os países do Brics.

A objeção às medidas unilaterais também vem de antes: em artigo publicado em jornais de oito países, Lula alertou que tarifas desse tipo empurram a economia global para preços altos e estagnação.