O chanceler Mauro Vieira afirmou nesta quinta-feira (4) que os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar investigações que podem resultar em tarifas contra o Brasil “não são legítimos”.
Segundo o ministro, o Brasil já entregou a Washington documentação formal contestando as acusações americanas — e o fez antes do prazo que os próprios presidentes haviam acordado.
Vieira disse ainda que os dois países vinham mantendo “ótimas conversas” e que os EUA sinalizaram disposição para continuar o diálogo bilateral.
Relatórios entregues antes do prazo
Os documentos foram entregues antes do prazo de 30 dias acordado no encontro entre Lula e Trump em Washington, em maio — quando os dois países formalizaram as negociações e deram início às tratativas técnicas bilaterais.
A entrega antecipada foi destacada pelo chanceler como parte do processo de contestação formal. Vieira não detalhou o conteúdo dos relatórios, mas indicou que as informações buscam refutar diretamente os fundamentos das investigações abertas pelo governo americano.
Dois dias antes, o governo brasileiro já havia divulgado nota oficial contestando as acusações com dados do próprio governo americano — base documental que Vieira apresentou formalmente a Washington.
Itamaraty e Planalto em frentes paralelas
Na véspera, o presidente Lula havia anunciado uma nova carta direta a Trump após ser pego de surpresa pelas tarifas — sinal de que a diplomacia brasileira opera em duas frentes simultâneas: a técnica, conduzida pelo Itamaraty, e a política, pelo Planalto.
Enquanto Vieira avança pela via formal e documental, Lula mantém o canal direto com Trump como instrumento paralelo de pressão e sinalização política. A estratégia dual indica que o governo brasileiro aposta na negociação antes de escalar o conflito tarifário.
