O presidente Lula afirmou nesta segunda-feira (8) que os países do Brics são vítimas de práticas comerciais ilegais e chantagem tarifária.
O discurso ocorreu durante reunião virtual, da qual participaram líderes de China, Egito, Indonésia, Irã, Rússia e África do Sul, sob comando rotativo do Brasil.
Lula defendeu o fortalecimento do comércio e integração financeira entre os membros para mitigar efeitos do protecionismo e destacou a instabilidade internacional.
Discussões sobre parceria e riscos no bloco
Segundo nota do Planalto, os líderes do Brics debateram os riscos de medidas unilaterais e formas de ampliar a parceria e o comércio entre os países. “A reunião foi também ocasião para compartilhar visões sobre como enfrentar os riscos associados ao recrudescimento de medidas unilaterais, inclusive no comércio internacional, e sobre como ampliar os mecanismos de solidariedade, coordenação e comércio entre os países do BRICS”, afirmou o governo brasileiro.
Lula ressaltou que o cenário internacional vive “crescente instabilidade” e que a integração financeira entre os países do bloco é uma opção segura diante do protecionismo global.
Críticas à presença militar dos EUA e conflitos globais
O presidente brasileiro criticou a presença de militares dos EUA no mar do Caribe, classificando-a como “fator de tensão incompatível com a vocação pacífica da região”. Lula também voltou a defender uma “solução realista” para o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia e condenou as ações de Israel na Faixa de Gaza, chamando-as de “genocídio”. “A decisão de Israel de assumir o controle da Faixa de Gaza e a ameaça de anexação da Cisjordânia requer nossa mais firme condenação. É urgente colocar fim ao genocídio em curso e suspender as ações militares nos territórios palestinos”, declarou.
Fundo de Florestas Tropicais e clima
Lula aproveitou a reunião para reiterar o convite aos países do Brics para participarem do Fundo de Florestas Tropicais, que será lançado durante a COP 30, prevista para novembro em Belém. O presidente também sugeriu a criação de um conselho de mudança do clima na ONU, afirmando: “O Brasil convida seus parceiros do BRICS a considerar a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU, que articule diferentes atores, processos e mecanismos que hoje se encontram fragmentados”.
Regulação das big techs e soberania digital
Lula destacou ainda a importância de uma “governança democrática” no ambiente digital, alertando para projetos de dominação por grandes empresas estrangeiras. “Sem uma governança democrática, projetos de dominação centrado em poucas empresas de alguns países vão se perpetuar. Sem soberania digital, seremos vulneráveis à manipulação estrangeira”, afirmou. Mesmo diante das ameaças dos EUA, Lula pretende enviar ao Congresso Nacional projetos para regular as atividades das big techs no Brasil.