Política

Lula convoca ministros para enfrentar tarifas e ofensiva dos EUA

Reunião ministerial ocorre com pauta dominada por tarifas de 25% e classificação de PCC e CV como terroristas pelos americanos
Reunião ministerial: Lula responde à ofensiva dos EUA com tarifas e classificação de terrorismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convoca nesta quarta-feira (3) a segunda reunião ministerial do ano em meio à escalada de tensões com Washington.

A pauta é dominada por dois fronts abertos pelos Estados Unidos: a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

É o primeiro encontro coletivo desde as trocas ministeriais de abril, quando 18 pastas mudaram de titular por conta do prazo de desincompatibilização eleitoral.

Tarifas de 25% e terrorismo: as duas frentes dos EUA

Na segunda-feira (1º), o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu investigação que acusa o Brasil de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os americanos — citando o PIX, desmatamento ilegal, pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

O resultado foi a proposta de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceções para produtos estratégicos aos EUA, como carnes, frutas, café, aeronaves e terras raras. As medidas ainda dependem de consultas públicas antes de entrar em vigor.

Na cúpula de maio na Casa Branca, o governo Lula havia conseguido um grupo de trabalho de 30 dias para negociar — prazo que expirou com a proposta americana de 25% de tarifas. O canal de negociação criado formalmente após o encontro dos presidentes não foi suficiente para evitar que os EUA concluíssem a investigação pela Seção 301 e propusessem as novas tarifas.

Em nota, o Planalto disse ter recebido o relatório “com indignação” e afirmou que o documento foi elaborado após “provocação da família Bolsonaro” — classificando-o como tentativa de ingerência em assuntos internos.

Na terça-feira (2), Lula cobrou publicamente uma reunião com Donald Trump e disse aguardar um telefonema do presidente americano para que ele explique as medidas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que se encontrará nos próximos dias com autoridades dos EUA.

Na semana passada, o Departamento de Estado anunciou a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas estrangeiras. A pressão para essa classificação já estava sobre a mesa quando Lula viajou a Washington em maio — e agora o Departamento de Estado tornou a medida oficial. Lula respondeu que o Brasil combaterá o crime organizado internamente, mas não aceitará intervenções estrangeiras.

Pauta interna e eleições no radar dos ministros

A reunião ministerial também deve abordar temas que já entram na campanha eleitoral de 2026. A PEC que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho foi aprovada pela Câmara na semana passada com apoio da base governista.

No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) sinalizou resistência. Na terça (2), afirmou que a Casa não pode ser obrigada a “carimbar” a proposta vinda da Câmara. Alcolumbre enviou à CCJ uma PEC paralela sobre jornada de trabalho, criando um impasse legislativo.

Outro tema sensível é a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Em abril, o Senado rejeitou o nome do advogado-geral da União — uma derrota histórica para o governo. Na mesma semana, o Congresso derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria, que beneficia condenados pelo 8 de janeiro, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar dos reveses, Lula anunciou que reenviará a indicação de Messias ao Senado. A estratégia do governo para enfrentar pressões externas, desgastes legislativos e a aproximação do calendário eleitoral deve tomar forma nesta quarta-feira.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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