O presidente Lula se reúne nesta quarta-feira (10) com empresários, ministros e ativistas na sétima edição do Conselhão — o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável —, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, a partir das 10h.
O encontro ocorre sob pressão crescente: o governo Trump propõe tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, ameaça que já mobilizou respostas emergenciais do Planalto nas últimas semanas.
O mote deste ano, “Da soberania nacional ao protagonismo global”, reflete o posicionamento que o governo pretende sinalizar ao mercado e à comunidade internacional.
Agenda e posicionamento do Planalto
A abertura será conduzida pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), seguida de breves discursos dos conselheiros. Lula encerra a cerimônia de abertura, e auxiliares do Planalto indicam que suas declarações devem reforçar a defesa da soberania nacional e do multilateralismo.
Na parte da tarde, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participa de um painel com autoridades e conselheiros para debater a agenda internacional e os caminhos para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do país.
A ofensiva tarifária americana já havia mobilizado uma reunião ministerial extraordinária em 3 de junho, quando Lula reuniu toda a equipe para definir a estratégia diante das alíquotas de 25% propostas por Washington — patamar que agora pode chegar a 37,5%. Saiba mais sobre a convocação ministerial de junho.
A escalada representa a deterioração de um canal de negociação aberto formalmente em maio, após a cúpula Lula-Trump na Casa Branca, quando o grupo de trabalho bilateral realizou sua primeira videoconferência técnica. Entenda como se iniciaram as negociações bilaterais com os EUA.
A reunião do Conselhão ocorre também uma semana após Lula declarar ter sido “pego de surpresa” pelas novas propostas tarifárias e anunciar o envio de uma carta direta a Trump. Leia o que Lula disse sobre a ofensiva tarifária.
Conselhão: histórico e pauta desta edição
Criado em 2003, no primeiro mandato de Lula, o Conselhão teve suas atividades encerradas durante o governo Bolsonaro. O colegiado foi reconstituído em 2023 e conta hoje com 280 integrantes — entre ministros, empresários e representantes da sociedade civil.
Segundo a secretária-executiva do órgão, Raimunda Monteiro, esta sétima edição incluirá uma retrospectiva de iniciativas desenvolvidas em parceria com o governo, como contribuições para a lei do mercado regulado de carbono, a política de primeira infância, recuperação de áreas degradadas, estratégia de economia circular e propostas para a transição energética e produção de biocombustíveis.
O encontro também prevê a apresentação do Manual Mulheres Protegidas, cartilha elaborada por membros do Conselhão sobre enfrentamento ao feminicídio. O documento organiza fundamentos teóricos, evidências e instrumentos operacionais para orientar políticas públicas de prevenção, com foco na proteção integral das mulheres e na atuação coordenada do Estado.
