Luiz Inácio Lula da Silva abriu o debate geral da 80ª Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23), em Nova York. O presidente defendeu a reforma da ONU, ressaltou o multilateralismo e destacou a importância de ouvir o Sul Global. Lula também criticou tarifas unilaterais e pediu a modernização da OMC.
O discurso ocorreu durante a maior crise diplomática entre Brasil e EUA em décadas, após sanções e retaliações do governo Trump.
Reforma da ONU e voz do Sul Global
No discurso de abertura, Lula enfatizou que a ONU precisa de reformas para se adaptar ao cenário global atual, destacando que a organização conta hoje com quase quatro vezes mais membros do que em sua fundação. “Nossa missão histórica é a de torná-la novamente portadora de esperança e promotora da igualdade, da paz, do desenvolvimento sustentável, da diversidade e da tolerância”, afirmou o presidente.
Lula defendeu que a voz do Sul Global seja respeitada e ouvida, ressaltando a necessidade de lideranças de visão para promover essas mudanças. O presidente também apontou o Brics como o principal fórum de discussão dos países do hemisfério sul, em contraponto às críticas do presidente dos EUA, Donald Trump.
Críticas ao sistema multilateral de comércio
Lula alertou para a crise no sistema multilateral de comércio e criticou tarifas unilaterais, que, segundo ele, desorganizam cadeias de valor e prejudicam a economia mundial. “É urgente refundar a OMC em bases modernas e flexíveis”, declarou. O presidente reforçou o pleito brasileiro por mudanças no Conselho de Segurança da ONU, onde o Brasil busca vaga como membro permanente.
Crise diplomática entre Brasil e EUA
A visita de Lula a Nova York marca sua primeira viagem aos Estados Unidos desde a posse de Donald Trump. O contexto do discurso é de tensão, após o governo Trump impor uma tarifa de 50% a produtos brasileiros, em retaliação aos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na véspera do discurso, novas sanções foram aplicadas a cidadãos brasileiros, incluindo a revogação do visto do advogado-geral da União, Jorge Messias, e a aplicação da sanção financeira da lei Magnitsky a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. Todos os bens de Viviane nos EUA estão bloqueados, assim como qualquer empresa ligada a ela. O governo americano já havia feito o mesmo com Alexandre de Moraes em julho.
O discurso de Lula ocorreu logo antes do pronunciamento do presidente americano, seguindo a tradição da Assembleia Geral da ONU.