Política

Itamaraty cobra desculpas de ‘traidores’ após Flávio pedir voz em audiência do USTR

Senador solicitou cinco minutos em inglês na sessão americana que discute taxas de 25% sobre produtos brasileiros
Flávio Bolsonaro em audiência da USTR sobre tarifas comerciais Brasil

O Itamaraty reagiu nesta quarta-feira (24) ao pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL) para participar de uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre tarifas propostas ao Brasil — e cobrou dos ‘traidores da pátria’ um pedido de desculpas.

Na véspera, o gabinete do senador informou ter enviado ao USTR um requerimento para se manifestar na sessão de 6 de julho, que trata sobre as sobretaxas de 25% anunciadas pelo governo Donald Trump.

A resposta do ministério foi direta: o Brasil já atua pelos canais diplomáticos adequados há meses — e quem tentou sabotar esse esforço deve uma explicação ao país.

A atuação do governo pelos canais diplomáticos

Segundo o Itamaraty, o governo Lula participa ativamente da investigação aberta pelo USTR desde 15 de julho de 2025, quando o processo foi iniciado. O ministério afirma ter apresentado duas defesas escritas demonstrando que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os EUA e ter realizado reunião de consultas com delegação de alto nível em Washington.

Desde 2 de junho, quando o governo Trump divulgou a nova proposta de tarifa adicional sobre mercadorias brasileiras, representantes do Executivo federal intensificaram as negociações com o lado americano.

A estratégia tem três eixos: negociação diplomática, argumentos técnicos e pressão política. O objetivo é convencer Washington de que um acordo negociado é mais vantajoso para ambos os lados do que a imposição de tarifas de 25%. O prazo é 15 de julho — data fixada pela USTR para uma definição sobre o tema.

Por que o governo não reconhece a audiência como canal legítimo

Para o Itamaraty, as sessões públicas do USTR são um espaço do setor privado e da sociedade civil — não uma mesa de negociação entre governos. O formato se assemelha, na avaliação do ministério, a uma audiência do Congresso Nacional: cada participante submete documentos e pede minutos para falar.

O canal efetivo de negociação entre os dois países é outro — e o Brasil vem atuando nesse espaço tanto por escrito quanto em reuniões presenciais com autoridades americanas.

No requerimento enviado ao USTR, Flávio Bolsonaro se apresentou como senador, figura de destaque da oposição parlamentar e pré-candidato declarado à Presidência para as eleições de outubro. Pediu cinco minutos para se manifestar presencialmente e em inglês diante do comitê americano.

Para justificar sua interlocução com Washington, o senador citou reuniões pessoais com o presidente Donald Trump, com o vice-presidente JD Vance e com o secretário de Estado Marco Rubio. Em 2 de junho, Flávio já havia revelado ter pedido diretamente a Trump que os EUA não taxassem o Brasil — encontros que agora usa como credencial no requerimento ao USTR.

A linguagem do Itamaraty não é nova no debate. Em 3 de junho, o presidente Lula havia classificado como ‘traição à pátria’ a postura de quem pede punição ao Brasil por interesse eleitoral, sem citar Flávio pelo nome. A resposta desta quarta retoma o mesmo enquadramento com mais firmeza institucional.

Desde a abertura da investigação americana, o Itamaraty já atribuía o processo à ‘provocação da família Bolsonaro’ — acusação que ganha novo capítulo com o pedido do senador para se pronunciar perante o órgão que pode recomendar as tarifas ao governo Trump.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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