Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reúnem nesta quarta-feira (2) na primeira sessão do plenário desde a revelação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
A Polícia Federal (PF) identificou oito encontros entre o banqueiro, alvo da Operação Compliance Zero, e o ministro do STF, aprofundando a crise em torno da relação entre os dois.
As mensagens tornadas públicas mostram Vorcaro pedindo ajuda a Moraes por WhatsApp horas antes de ser preso, em uma troca iniciada às 7h19 do mesmo dia em que o banqueiro foi detido em Guarulhos. Nos prints, ele pergunta ao ministro se havia conseguido “bloquear” movimentações contra o Banco Master.
O levantamento da PF sobre os oito encontros entre os dois reforça o padrão já descrito por Vorcaro à companheira em relatos anteriores, que mencionavam reuniões presenciais em Campos, na casa do banqueiro, e videochamadas ao longo de 2025.
Funrural também está na pauta
Apesar da tensão institucional, a agenda desta quarta-feira segue com o rito ordinário do tribunal. Os ministros devem proclamar a tese do julgamento sobre a constitucionalidade da contribuição previdenciária paga pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta da comercialização da produção (Funrural), que substituiu a cobrança sobre a folha de salários. Também está em debate o alcance da tese fixada.
A sessão ocorre um dia após o Tropiquim revelar que Vorcaro pediu ajuda a Moraes por WhatsApp horas antes de ser preso, mostram prints publicados anteriormente. Na ocasião, as trocas indicavam que o banqueiro buscava respaldo do ministro horas antes de ser detido.
O novo mapeamento da PF também confirma o padrão de encontros já sugerido pelas mensagens de Vorcaro à companheira, com reuniões presenciais em Campos, na casa do banqueiro e por videochamada ao longo do ano passado.
Investigadores já classificavam a proximidade entre os dois como grave o suficiente para levantar suspeitas de advocacia administrativa, avaliação que ganha novo contorno com o STF de volta ao centro da crise. As mensagens foram encaminhadas à CPMI do INSS, e a possibilidade de delação premiada de Vorcaro segue como desdobramento em aberto.