A defesa do eletricista Vanderlei Magalhães Natividade afirmou nesta segunda-feira (14) que ele nunca exerceu qualquer atividade como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada a Karina da Gama que movimentou R$ 83 milhões em um ano.
Segundo os advogados, ele apenas emprestou seus dados pessoais há 12 anos para ajudar a prima a formalizar a entidade, hoje sob investigação da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF).
A casa de Natividade, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo, foi alvo de busca autorizada pelo ministro Flávio Dino na última quinta-feira (10).
Assinatura em nome de terceiro movimentou fortuna
De acordo com a Polícia Federal, é a assinatura de Natividade que aparece nos documentos ligados à movimentação de cerca de R$ 83 milhões do ICB em apenas um ano — entidade que mantém contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo. Nas redes sociais, ele se apresenta como eletricista industrial, especializado em reparos residenciais e empresariais.
Os advogados Miguel Kupermann e Matheus Yasbeck Montenegro sustentam que o eletricista jamais movimentou qualquer conta bancária da entidade. “Há 12 anos, a pedido de sua prima, Karina da Gama, Vanderlei forneceu seus dados para auxiliá-la na constituição do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ocasião em que foi registrado, formalmente, como tesoureiro estatutário”, diz a nota da defesa.
A proximidade entre os dois vai além do parentesco: a casa de Natividade faz fundos com o terreno onde mora a família de Karina, produtora do filme Dark Horse. Segundo os advogados, essa relação de confiança — que já levou Natividade a morar no imóvel vizinho — explica por que seu nome foi usado na fundação do instituto. O g1 procurou o ICB para entender por que ele segue formalmente como tesoureiro, mas não obteve resposta.
Karina aciona STF contra a operação
A defesa de Karina Ferreira da Gama informou que ajuizou uma reclamação constitucional no STF após a operação da PF de quinta-feira (10). Segundo o advogado Ricardo Sayeg, a medida não contesta o mérito da investigação e busca apenas assegurar o cumprimento de decisões da Presidência da corte e a competência do juiz natural.
Os advogados afirmam que Karina vem colaborando espontaneamente com as apurações e que, na sexta-feira (11), entregou à Polícia Federal mais de 20 mil páginas de documentos como prova de boa-fé.
O episódio se soma a uma sequência de apurações sobre o ICB. Dias antes da operação, a Polícia Civil já havia revelado que a ONG antecipou instalações de wi-fi na periferia para favorecer a reeleição do prefeito Ricardo Nunes, com R$ 26 milhões pagos a mais do que o serviço justificaria. Em julho, a própria gestão municipal havia notificado o instituto por R$ 12 milhões em notas fiscais suspeitas, e em junho a Polícia Civil já apurava se os repasses do contrato de wi-fi teriam sido desviados para financiar o filme Dark Horse.