A Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (1º) em três empresas controladas por Karina da Gama, sócia da produtora do filme Dark Horse — longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A suspeita central é que recursos públicos repassados pela Prefeitura de SP ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina, foram usados indiretamente para financiar o filme, cujo custo estimado varia entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões.
O fio que conecta a ONG ao filme
O alvo principal da Operação Wi-Fi é um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina da Gama, para instalação de redes de internet. A polícia suspeita de fraude no repasse dos recursos municipais à entidade.
A produtora do Dark Horse foi incluída nas buscas porque a Justiça acolheu o argumento de que todas as empresas controladas por Karina precisavam ter seus fluxos de caixa rastreados — diante da suspeita de confusão patrimonial entre os diferentes CNPJs do grupo.
O que diz o juiz
Na decisão que autorizou a operação, o juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner registrou que “durante o período de vigência do contrato administrativo e dos repasses públicos milionários ao ICB, a investigada teria iniciado a produção de longa-metragem denominado Dark Horse, cujo custo estimado variaria entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões, havendo suspeitas de utilização indireta de recursos públicos oriundos do programa municipal para financiamento da produção audiovisual”.
O magistrado também autorizou a abertura forçada de cofres, armários e gavetas em caso de resistência, além do espelhamento completo dos dispositivos eletrônicos apreendidos — incluindo mensagens de aplicativos, dados de geolocalização, registros de e-mail e arquivos em nuvem.
O Instituto Conhecer Brasil já estava no radar do Supremo Tribunal Federal desde março. O ministro Flávio Dino havia ordenado que o deputado Mário Frias prestasse esclarecimentos sobre R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas à mesma ONG — mas a intimação não chegou a ser cumprida. O caso ainda aguarda resposta no STF.
A suspeita de confusão patrimonial entre as empresas de Karina da Gama também não é novidade em Brasília. Em maio, Dino abriu apuração preliminar no STF sobre o mesmo ecossistema de CNPJs interconectados sob seu comando — o mesmo conjunto de entidades que a Polícia Civil de São Paulo agora alcança com mandado de busca e apreensão. Leia sobre a decisão de Dino no STF.
Esta reportagem está em atualização.
