Ministros aliados de Alexandre de Moraes atuam nos bastidores do Supremo Tribunal Federal para evitar a abertura de uma investigação contra o colega, marcada para ser decidida nesta terça-feira (15). A avaliação é de juristas e ex-ministros do STF ouvidos sobre o caso.
O grupo fez uma série de pedidos que, segundo essas fontes, têm como objetivo esvaziar ou adiar o julgamento, entre eles a exigência de acesso à íntegra do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Pedidos vistos como manobra
Segundo um ex-ministro do STF ouvido pela reportagem, está claro que o grupo de Moraes trabalha para inviabilizar a sessão desta terça-feira. O pedido de acesso à íntegra do celular de Vorcaro seria parte dessa estratégia, já que o tribunal costuma analisar apenas os trechos de conversas relacionados ao tema em julgamento.
A ala aliada deve argumentar que não teve tempo hábil para examinar o material, encaminhado aos ministros apenas na tarde desta segunda-feira (14). Caso o plenário rejeite esse argumento e o julgamento avance, um dos apoiadores de Moraes pode pedir vista do processo, o que adiaria a decisão por prazo indeterminado.
Outro ponto de disputa é o relatório da Polícia Federal que associou mensagens registradas no bloco de notas do celular de Vorcaro ao horário em que o banqueiro enviava mensagens a Moraes — ao todo, 52 mensagens. Ministros próximos ao colega devem questionar a robustez dessa análise e pedir aprofundamento das investigações. Antes da sessão, o STF ainda debate se o próprio Moraes poderá participar do julgamento ou se André Mendonça, responsável por conduzir a apuração da PF, ficará impedido de votar.
Um caso sem precedentes
A sessão desta terça-feira será inédita na história do STF: pela primeira vez, o tribunal vai decidir sobre um pedido de investigação de um ministro contra outro colega em exercício.
Alexandre de Moraes ainda não deu explicações públicas sobre o teor das conversas com Daniel Vorcaro. Inicialmente, chegou a negar qualquer contato com o banqueiro — versão que a própria Corte reforçou em nota, como mostrou o Tropiquim quando o STF negou que o ministro tivesse recebido mensagens de Vorcaro antes da prisão do banqueiro.
A versão foi contrariada meses depois pela Polícia Federal, que localizou no celular apreendido de Vorcaro o registro das 52 mensagens enviadas a Moraes. Documentos já haviam indicado que o banqueiro pediu ajuda ao ministro por WhatsApp horas antes de ser preso, no dia da operação que resultou em sua detenção em Guarulhos.