Política

Perícia aponta falha em lacres de dispositivos do caso Dark Horse

Documentos liberados por Dino não dizem se os 27 aparelhos foram violados após brecha na lacração
Flávio Dino em sessão no STF em matéria sobre falha lacre dispositivos Dark Horse

A perícia da Polícia Civil de São Paulo identificou falhas nos lacres de 27 dispositivos apreendidos na operação contra a produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os aparelhos precisaram ser devolvidos para correção antes de seguir para análise. O caso veio a público neste domingo (13), após o ministro do STF Flávio Dino retirar o sigilo do inquérito, compartilhado com a Polícia Federal por determinação dele.

Os documentos não esclarecem se a integridade dos equipamentos foi comprometida pelas falhas na lacração.

O que a perícia encontrou

Segundo os documentos, foi constatada falha no lacre de 9 notebooks, 5 celulares e 13 pen drives apreendidos na operação. Em ofício, a perita criminal Viviane Menezes afirmou que “as guias […] apresentam vão suficiente para retirada da peça [pendrive] a ser periciada”. Em outro documento, ela apontou que o vão nos lacres dos notebooks e celulares era suficiente para a passagem de cabos de alimentação e transferência de dados.

Os ofícios foram formalizados em 3 de junho, dois dias após a operação. Em 8 de junho, os aparelhos foram enviados à 2ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Crimes Contra a Administração Pública para “readequação dos invólucros”. Um escrivão da Polícia Civil justificou o procedimento como necessário “para a preservação da cadeia de custódia”.

A operação e as suspeitas

Os dispositivos foram apreendidos em 1º de junho, em residências e empresas ligadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, que também comanda a Go Up Entertainment, produtora do Dark Horse. A ação apurava suspeita de fraude em contrato de R$ 108 milhões por ano firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de wi-fi gratuito na periferia da cidade — e investiga se parte desses recursos foi desviada para financiar o filme sobre Bolsonaro.

O contrato previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi até junho de 2025, mas apenas 3.200 haviam sido instalados até a divulgação dos documentos, após ao menos três aditivos que adiaram o prazo de entrega.

Cadeia de custódia sob suspeita

Após retornarem ao Instituto de Criminalística, os aparelhos ficaram parados até 23 de julho à espera de perícia, em razão do “elevado volume de casos e à consequente fila de exames pendentes” sob responsabilidade do perito responsável. Os documentos anexados ao processo não informam se a perícia avaliou a integridade dos aparelhos nem se houve violação decorrente da falha nos lacres — apenas registram que os dados foram extraídos e repassados à delegacia responsável pela investigação.

Os 27 dispositivos agora periciados foram apreendidos na mesma operação que, pela primeira vez, levantou a suspeita de que o ICB teria desviado verba do wi-fi municipal para financiar o Dark Horse. Dois dias antes da divulgação dos laudos periciais, a Polícia Civil já havia apontado que o instituto acelerou a instalação de pontos de wi-fi às vésperas das eleições de 2024 para favorecer a reeleição do prefeito Ricardo Nunes. Em julho, a própria Prefeitura já havia notificado o ICB para justificar R$ 13 milhões em notas fiscais suspeitas dentro do mesmo contrato.

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