A defesa do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-SP) fez quatro tentativas de transferir do ministro Flávio Dino para André Mendonça a investigação sobre o uso de emendas parlamentares em entidades ligadas à produtora do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Duas solicitações foram enviadas ao presidente do STF, Edson Fachin, e as outras duas ao próprio Dino, responsável pela apuração desde maio.
A operação que a defesa tenta redirecionar foi deflagrada na quinta-feira (10): autorizada por Dino, a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão para investigar o desvio de R$ 2 milhões em emendas de Mario Frias para entidades ligadas à produtora do filme.
O que apura a PF
Frias e Karina Gama, dona da Go Up, produtora da cinebiografia, foram alvos da ação. Segundo a PF, foram identificadas movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.
Os crimes investigados incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
A competência de Dino sobre o caso vem de maio, quando ele abriu a apuração preliminar a pedido das deputadas Tabata Amaral e Pastor Henrique — a mesma jurisdição que a defesa de Flávio tentou tirar de suas mãos quatro vezes.
O argumento da defesa tem respaldo na arquitetura do caso: em junho, o STF já havia designado André Mendonça como relator do caso dos R$ 61 milhões enviados por Daniel Vorcaro, o que a equipe jurídica de Flávio tentou usar para concentrar também as emendas sob o mesmo ministro.
Até o momento, nenhum dos quatro pedidos foi acolhido, e a investigação sobre o financiamento do Dark Horse segue sob relatoria de Dino, aprofundando o cerco sobre aliados de Bolsonaro às vésperas da campanha presidencial de Flávio.