O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou nesta quinta-feira (11) o sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master, atendendo a um pedido feito horas antes pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
A decisão libera o acesso a inquéritos, reclamações e petições que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Mas nem tudo foi aberto: as apurações sobre o filme “Dark Horse” e sobre a relação do senador Jaques Wagner com o ex-sócio do Master, Augusto Ferreira Lima, seguem sob sigilo.
Dark Horse e a rede de Wagner ficam de fora
O filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou notoriedade depois que o site The Intercept Brasil divulgou conversas entre o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e Vorcaro, nas quais o filho do ex-presidente pedia dinheiro para financiar a produção. Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões aos produtores por meio de um fundo nos Estados Unidos, e o Intercept apurou que Flávio teria negociado o repasse de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões à época. Essa investigação, que chegou à relatoria de Mendonça em junho e foi encaminhada à PGR para decisão sobre abertura de inquérito, permanece sob sigilo.
74 ligações com sócio de Vorcaro
Também fora do levantamento está a apuração sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA). A Polícia Federal identificou 74 ligações telefônicas entre Wagner e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e também investigado por fraudes financeiras. Segundo a PF, Wagner atuou em defesa de interesses do Master no Congresso e, em troca, teria recebido vantagens indevidas — um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões e repasses a empresas de familiares do senador.
Pedido de Fachin ocorre em meio a pressão política
A decisão de Mendonça atende a um pedido do presidente do STF, Edson Fachin, feito horas antes. No dia anterior, o PT havia protocolado petições pedindo o fim total do sigilo do caso Master, sob o argumento de que vazamentos seletivos distorciam o debate a menos de um mês do primeiro turno das eleições.
O episódio ocorre em meio à crise institucional entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes, iniciada a partir de decisões sobre as investigações do Master e que também envolveu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro Flávio Dino. Já em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia orientado Andrei Rodrigues a procurar Mendonça para tratar da relação entre a PF e o gabinete do relator.