O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, deve encaminhar nesta semana à Procuradoria-Geral da República o pedido de investigação sobre repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse.
A decisão de como prosseguir caberá à PGR: abrir inquérito formal, determinar diligências preliminares ou arquivar o caso.
O pedido partiu do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) após a divulgação de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita os repasses ao ex-banqueiro para custear a produção cinematográfica.
Do áudio ao Supremo
O caso ganhou contornos jurídicos após a divulgação de uma gravação em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, pede ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro transferências de recursos para financiar o Dark Horse — documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Diante do áudio, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o STF. O pedido foi dirigido inicialmente ao ministro Alexandre de Moraes, relator de inquérito que investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro e aliados nos Estados Unidos para impor sanções ao Brasil e pressionar o Judiciário.
O presidente do Supremo, Edson Fachin, redirecionou o caso para Mendonça ao reconhecer as conexões entre o pedido e as investigações do Caso Master. A PGR compartilha do mesmo entendimento: a ligação com o esquema de fraude do banco justifica a preferência pela relatoria do ministro.
Os R$ 61 milhões que motivam o pedido de investigação vieram à tona quando Vorcaro incluiu o financiamento do Dark Horse em nova proposta de delação — que a PF tendeu a rejeitar por não trazer elementos inéditos. Entenda a delação de Vorcaro e por que a PF tende a rejeitá-la.
Sigilo e próximos passos
Após receber o pedido na sexta-feira (26), o gabinete de Mendonça colocou o caso sob sigilo nível 3 — padrão adotado para as investigações do esquema de fraude do Banco Master. A medida segue o protocolo habitual para processos desta natureza no STF.
A chegada do caso às mãos de Mendonça não foi coincidência. Em junho, a defesa de Flávio Bolsonaro já havia tentado declarar Moraes suspeito e redirecionar exatamente para o ministro o processo que agora avança rumo à PGR. Saiba como a suspeição de Moraes se tornou estratégia da defesa de Flávio.
Com o material nas mãos da Procuradoria, caberá ao órgão definir os próximos passos: abertura formal de inquérito, realização de diligências investigativas preliminares ou arquivamento. O envio à PGR é praxe quando o pedido de apuração chega ao Supremo por iniciativa de um parlamentar.
Na quinta-feira (25), o STF já havia definido que Mendonça seria o relator das investigações sobre os R$ 61 milhões enviados por Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro — movimento que antecede diretamente o envio à PGR desta semana. Veja o que se sabe sobre os três inquéritos que a PF deve abrir sobre o Dark Horse.
