Fraudes com combustíveis envolvendo metanol têm aumentado, trazendo riscos sérios para veículos em todo o Brasil. O metanol pode corroer peças do motor e causar falhas graves já no primeiro tanque adulterado. Especialistas explicam como identificar sinais de adulteração e os perigos para a saúde e segurança.
Segundo a ANP, o limite permitido é de apenas 0,5% na gasolina ou etanol, mas operações recentes revelam índices bem maiores, afetando o funcionamento dos motores e expondo motoristas a prejuízos e riscos.
Como o metanol afeta veículos
O metanol é um solvente tóxico e corrosivo, utilizado na indústria química e na produção de biodiesel. Quando adicionado de forma fraudulenta à gasolina ou etanol, pode causar corrosão em componentes como bicos injetores, flauta de combustível, câmara de combustão, guia de válvulas e bombas de pressão. Técnicos como Tenório Júnior e Bruno Bandeira alertam que a substância pode queimar a bomba de combustível e criar resíduos que travam o motor, impedindo até mesmo que o carro ligue pela manhã.
Bruno destaca que a presença de metanol pode ser mais destrutiva do que a de etanol adulterado, corroendo rapidamente peças internas e reduzindo drasticamente a vida útil do motor. O uso contínuo pode levar a danos irreversíveis, com relatos de bombas de alta pressão se desgastando até desaparecerem.
Fraudes e operações policiais
Uma megaoperação recente apontou o envolvimento do PCC na adulteração de combustíveis com metanol. A adulteração é considerada mais frequente com metanol do que com etanol misturado à gasolina, segundo especialistas. O mecânico Bruno relata que a qualidade dos combustíveis caiu tanto que nem mesmo a gasolina limpa mais peças como antes, devido à quantidade de impurezas adicionadas.
Como identificar combustível adulterado
Segundo Orli Robalo, luzes de alerta no painel podem indicar problemas causados por combustível adulterado, pois sensores saturam com a mistura irregular. Denis Marum acrescenta que perda de potência, consumo elevado, dificuldade para ligar, ruídos estranhos e odores diferentes são sinais claros. Testes simples, como misturar gasolina com água e sal, podem indicar excesso de álcool, mas o metanol é mais difícil de detectar, pois não se separa facilmente da gasolina. Testes de densidade, exigidos pela ANP, podem ajudar a identificar adulterações.
O que é o metanol e seus riscos
O metanol, também chamado de álcool metílico, é um composto químico inflamável, usado como matéria-prima para adesivos, solventes e na produção de biodiesel. Seu uso direto em veículos não é recomendado devido ao alto potencial de corrosão e toxicidade. A ANP permite até 0,5% de metanol na gasolina e etanol, mas fraudes podem elevar esse índice, aumentando os riscos para motores e para a saúde pública.
Além dos danos mecânicos, o metanol representa perigo à saúde humana e à segurança, principalmente quando armazenado ou transportado sem os devidos cuidados. Luciano Santos, do Sindipostos-PI, reforça que postos e distribuidoras devem manter kits de análise e que consumidores podem exigir testes caso suspeitem de adulteração.
Cuidados e recomendações
Se houver suspeita de combustível adulterado, recomenda-se não utilizar o veículo até que seja feita uma avaliação técnica. A limpeza do sistema de combustível por um profissional é fundamental para evitar danos maiores. Ficar atento a sinais como perda de potência, ruídos e odores incomuns pode evitar prejuízos e riscos à segurança.