Saúde

Polícia Federal investiga intoxicação por metanol em bebidas adulteradas em São Paulo

Casos confirmados de intoxicação e mortes levam autoridades a apurar origem e distribuição do metanol em bebidas alcoólicas

A Polícia Federal iniciou investigação sobre a origem do metanol usado para adulterar bebidas alcoólicas em São Paulo, após seis casos de intoxicação, incluindo três mortes. A suspeita é que a rede de distribuição possa atuar em outros estados. O alerta foi emitido após aumento incomum de casos, e autoridades reforçam a necessidade de atenção à procedência das bebidas consumidas.

Investigação e contexto dos casos

O uso de metanol em bebidas adulteradas provocou seis intoxicações confirmadas e três mortes em São Paulo, além de dez casos em investigação. A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) suspeita que o metanol utilizado seja o mesmo importado ilegalmente pelo crime organizado para adulteração de combustíveis. Recentemente, operações policiais encontraram combustíveis com até 90% de metanol, quando o limite permitido pela ANP é de 0,5%.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que a Polícia Federal abriu inquérito para apurar a procedência do metanol e a possível atuação da rede em outros estados. Ele destacou que o número elevado e inusitado de intoxicações foge ao padrão, normalmente restrito a situações de vulnerabilidade. O Ministério da Saúde emitiu alerta nacional e prepara nota técnica para orientar profissionais de saúde sobre identificação e manejo dos casos.

Modus operandi e fiscalização

Os falsificadores adulteram bebidas de marcas famosas, como gin e vodca, acrescentando metanol ao conteúdo. As vítimas podem demorar horas para apresentar sintomas como dores abdominais intensas e perda de visão. Estabelecimentos suspeitos estão sendo notificados para identificar fornecedores e responsáveis. Uma força-tarefa apreendeu 117 garrafas sem rótulo em bares da capital paulista.

Recomendações e repercussão

O Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo orienta que bares e comerciantes redobrem atenção à procedência dos produtos, e consumidores adquiram apenas bebidas legalizadas, com rótulo, lacre e selo fiscal. Produtos de origem duvidosa devem ser evitados, pois representam risco à vida.

Entre os casos investigados, destaca-se o de Rafael dos Anjos Martins Silva, internado em estado irreversível após consumir gin adulterado, e Rhadarani Domingos, que perdeu a visão após beber caipirinhas de vodca em um bar. O governo estadual confirmou três mortes: um homem de 58 anos de São Bernardo do Campo, outro de 54 anos da capital e um terceiro de 45 anos, com local em apuração.

Origem do metanol e atuação do crime organizado

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não descarta ligação com o crime organizado, especialmente o PCC, que já importava metanol ilegalmente para adulteração de combustíveis. O produto pode ter sido repassado a destilarias clandestinas após fechamento de distribuidoras ligadas ao crime.

O que é metanol?

O metanol (CH₃OH) é um álcool simples, incolor, inflamável e tóxico, usado na indústria para produção de formaldeído, tintas, solventes e biodiesel. Não deve ser comercializado para consumo humano ou adicionado a combustíveis comuns em larga escala. A ingestão, inalação ou contato prolongado pode causar náusea, tontura, convulsões, cegueira e morte.

O Centro de Controle de Intoxicações (CCI-SP) oferece apoio pelo telefone (11) 5012-5311 e 0800 771 3733. Em caso de suspeita, a orientação é buscar atendimento médico imediato.