Um ciclone extratropical em formação entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina deve se intensificar na sexta-feira (11) e provocar temporais, granizo e rajadas de vento acima de 80 km/h no Sul, em Mato Grosso do Sul e em São Paulo, segundo projeções da Climatempo.
A instabilidade começa antes mesmo do ciclone se formar: entre quarta (9) e quinta-feira (10), uma área de baixa pressão deve se expandir do norte da Argentina e do Paraguai em direção ao Sul do Brasil, elevando o risco de tempestades já nos primeiros dias.
As simulações meteorológicas indicam que a baixa pressão deve se aprofundar até ficar abaixo de 1.000 hectopascais no centro do sistema — patamar associado a ciclones bastante intensos. Esse aprofundamento favorece ventos mais fortes e amplia a instabilidade da atmosfera, criando cenário propício a tempestades com chuva volumosa, granizo e raios.
Paraná deve ter os maiores acumulados
Segundo a Climatempo, os volumes de chuva podem superar 300 milímetros em pontos do oeste, sudoeste, sul e centro do Paraná até sexta-feira. A repetição de episódios de chuva em poucos dias tende a saturar o solo e eleva o risco de alagamentos, enxurradas, transbordamento de rios e córregos e deslizamentos em áreas vulneráveis.
O padrão não é inédito: há menos de três semanas, um ciclone extratropical com trajetória semelhante, formado entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, provocou rajadas de 70 a 90 km/h na Região Sul e levou o Inmet a emitir aviso de vendaval até para São Paulo e Rio de Janeiro.
Frio chega atrás da chuva
Depois que o ciclone se deslocar para o oceano, no sábado (12), uma massa de ar de origem polar deve avançar sobre o Sul e passar a influenciar também Mato Grosso do Sul e São Paulo, derrubando as temperaturas. O ar frio é mais intenso sobre a Patagônia argentina, mas a configuração dos ventos na América do Sul deve impedir que ele chegue ao Brasil com a mesma força observada no feriado de 7 de setembro.
Rio de Janeiro, Espírito Santo e o sul e leste de Minas Gerais também podem sentir um resfriamento, ainda que mais leve. A combinação de frente fria e ciclone extratropical já se repetiu neste ano: em julho, o mesmo tipo de sistema trouxe rajadas acima de 80 km/h, granizo e mais de 100 milímetros de chuva ao Sul — padrão que volta a ser monitorado agora.
Como o ciclone ainda não se formou por completo, trajetória, intensidade e distribuição da chuva podem mudar. A recomendação é acompanhar as atualizações da previsão e os avisos das Defesas Civis estaduais ao longo da semana.