Um ciclone extratropical em formação entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina — previsto para se intensificar na sexta-feira (11/9) — gerou aviso de risco de tornado para Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul a partir da quinta-feira (10/9), segundo meteorologistas. O sistema também deveria provocar temporais, granizo e rajadas de vento acima de 80 km/h no Sul e nos dois estados, conforme as projeções da Climatempo.
A instabilidade chegou antes mesmo do ciclone se organizar por completo: já na manhã da quarta-feira (9/9), chuva atingia São Paulo e o Paraná. Uma área de baixa pressão vinha se expandindo do norte da Argentina e do Paraguai em direção ao Sul do Brasil desde o feriado de 7 de setembro, elevando o risco de tempestades à medida que o sistema se organizava.
As simulações meteorológicas indicavam que a baixa pressão deveria se aprofundar até ficar abaixo de 1.000 hectopascais no centro do sistema — patamar associado a ciclones bastante intensos. Esse aprofundamento favorece ventos mais fortes e amplia a instabilidade da atmosfera, criando cenário propício a tempestades com chuva volumosa, granizo e raios.
Paraná deve ter os maiores acumulados
Segundo a Climatempo, os volumes de chuva poderiam superar 300 milímetros em pontos do oeste, sudoeste, sul e centro do Paraná até a sexta-feira (11/9), com rajadas previstas acima de 85 km/h em algumas localidades. A repetição de episódios de chuva em poucos dias tende a saturar o solo e eleva o risco de alagamentos, enxurradas, transbordamento de rios e córregos e deslizamentos em áreas vulneráveis.
Em São Paulo, o maior risco estava associado ao volume acumulado: a capital paulista poderia registrar mais de 100 milímetros em cinco dias — precipitação superior à esperada para todo o mês de setembro. O risco de tornado estava diretamente ligado à fase de formação do ciclone, momento em que a instabilidade atmosférica costuma ser mais intensa, com ventos fortes e variações bruscas de temperatura.
O padrão não é inédito: em meados de agosto (19/8), um ciclone extratropical com trajetória semelhante, formado entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, provocou rajadas de 70 a 90 km/h na Região Sul e levou o Inmet a emitir aviso de vendaval até para São Paulo e Rio de Janeiro.
Frio chega atrás da chuva
Após a passagem do ciclone pelo oceano, prevista para o sábado (12/9), uma massa de ar de origem polar deveria avançar sobre o Sul e passar a influenciar também Mato Grosso do Sul e São Paulo, derrubando as temperaturas. O ar frio seria mais intenso sobre a Patagônia argentina, mas a configuração dos ventos na América do Sul deveria impedir que ele chegasse ao Brasil com a mesma força observada no feriado de 7 de setembro.
Rio de Janeiro, Espírito Santo e o sul e leste de Minas Gerais também poderiam sentir um resfriamento, ainda que mais leve. A combinação de frente fria e ciclone extratropical já se repetiu neste ano: em julho, o mesmo tipo de sistema trouxe rajadas acima de 80 km/h, granizo e mais de 100 milímetros de chuva ao Sul — padrão que voltou a ser monitorado naquela semana.