Um ciclone extratropical começa a se formar nesta quinta-feira (20) entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, segundo meteorologistas. Na sexta-feira (21), já mais intenso, o sistema deve se deslocar para o oceano e se afastar da costa. O ciclone organiza uma frente fria que avança pela Região Sul e amplia o risco de temporais.
A chuva já atingiu o Rio Grande do Sul nesta quarta-feira (19), com trovoadas em Porto Alegre, e avançou por Santa Catarina e pelo oeste do Paraná ao longo do dia.
Com a chegada do ciclone, uma massa de ar polar derruba as temperaturas no Sul e alcança o Sudeste. O Inmet emitiu aviso de vendaval para Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo na sexta-feira (21) — classificação amarela, válido entre 12h e 23h59 —, com ventos entre 40 km/h e 60 km/h e rajadas que podem chegar a 90 km/h em pontos do Rio de Janeiro.
Alerta de temporais no Rio Grande do Sul
O Inmet mantém aviso de tempestades para todo o Rio Grande do Sul e para áreas de Santa Catarina e do Paraná. Os temporais podem começar já na madrugada desta quinta-feira e atingir todas as regiões do estado gaúcho, com risco de granizo e acumulados entre 10 e 50 milímetros na maior parte do território. Pontualmente, a chuva pode chegar a 80 milímetros no Oeste, na Campanha e no Sul — em especial em áreas próximas à fronteira com o Uruguai, onde rios e arroios já receberam volumes elevados nos últimos dias. Os ventos ganham força com rajadas de 70 km/h a 90 km/h em áreas da Região Sul, sobretudo entre as serras gaúcha e catarinense; o Inmet aponta que podem superar pontualmente 80 km/h.
Nesta quarta-feira, a chuva chegou desde a manhã ao Rio Grande do Sul, com trovoadas em algumas áreas, e avançou até a divisa com Santa Catarina. À tarde, as pancadas se espalharam pelo centro-leste e sul catarinense, enquanto o oeste do Paraná registrou chuva isolada, principalmente em Cascavel e Foz do Iguaçu. À noite, Porto Alegre seguiu com chuva e trovoadas.
A Climatempo também prevê risco de granizo no Rio Grande do Sul nesta quinta-feira, quando a chuva avança por Santa Catarina e alcança o oeste, o sudoeste e o sul do Paraná.
Frio chega junto com o ciclone
Na quinta-feira, as mínimas podem ficar abaixo de 10°C no sul do Paraná, no oeste catarinense e em grande parte do interior gaúcho. Entre as capitais, Porto Alegre e Curitiba devem ter mínima de 15°C. A capital gaúcha deve registrar máxima de cerca de 21°C, com chuva e trovoadas; em Curitiba, onde o ar frio demora mais a chegar ao leste paranaense, a máxima pode alcançar 27°C. Cenário parecido já havia sido registrado em março, quando um ciclone extratropical formado perto do litoral gaúcho combinou com frente fria para acionar alertas vermelhos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com ventos projetados acima de 100 km/h. O atual sistema, contudo, não deve atingir a mesma intensidade do ciclone registrado no começo de agosto.
Sudeste sente o frio, mas calor resiste no Centro-Oeste, Norte e Nordeste
No Sudeste, o Inmet mantém avisos para áreas de São Paulo e Minas Gerais, onde a umidade pode cair bastante à tarde. Antes do frio, as temperaturas ainda podem passar de 35°C no norte e noroeste de São Paulo nesta quinta-feira; a capital paulista deve marcar máxima de 32°C, assim como o Rio de Janeiro, enquanto Belo Horizonte pode chegar a 31°C. A frente fria começa a influenciar São Paulo a partir de quinta-feira, primeiro pelo oeste do estado, e a mudança deve ser sentida mais pelo aumento do vento do que pela chuva, já que o ar segue seco. A chuva deve ficar mais concentrada no litoral paulista, no Vale do Paraíba e na Serra da Mantiqueira. Na sexta-feira, com o ciclone já organizado, o Inmet emitiu aviso de vendaval com classificação amarela para Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, válido entre 12h e 23h59: os ventos podem variar entre 40 km/h e 60 km/h nas áreas alertadas, com rajadas que podem chegar a 90 km/h em pontos do Rio de Janeiro. O instituto orienta que a população não se abrigue debaixo de árvores e evite estacionar próximo a torres de transmissão e placas. A queda de temperatura deve ser mais perceptível no centro-sul de São Paulo.
No Centro-Oeste, Cuiabá chegou a cerca de 39°C nesta quarta-feira antes de a frente fria derrubar a máxima para cerca de 32°C na quinta e para perto de 29°C a 30°C nos dias seguintes. Mato Grosso do Sul será o primeiro estado da região a sentir a entrada do ar polar: em Campo Grande, a máxima deve ficar perto de 23°C nesta quinta-feira, com chuva e rajadas que podem chegar a 60 km/h no oeste, no sudoeste e no sul do estado. O aumento do vento sobre o solo seco pode levantar poeira em áreas de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, reduzindo temporariamente a visibilidade.
No Norte, o avanço do ar polar pelo interior do continente provoca friagem no Acre, em Rondônia e no sul do Amazonas — queda de temperatura mais perceptível durante a noite e a madrugada. O Inmet mantém aviso laranja para ar seco no sul do Pará e no oeste do Tocantins, onde as temperaturas podem passar dos 40°C — Palmas pode chegar a 38°C. No restante da região, o calor predomina, com possibilidade de pancadas em partes do Amazonas, de Roraima, do Amapá e do norte do Pará.
No Nordeste, a chuva fica concentrada na faixa leste, do litoral sul da Bahia ao Rio Grande do Norte, com maior intensidade entre Alagoas e Pernambuco. Na costa norte, rajadas de vento podem chegar a 70 km/h. No interior, seguem o calor e a baixa umidade.
A dinâmica lembra o que ocorreu em maio, quando outro ciclone extratropical, formado na costa argentina, provocou o que se projetava como a maior queda de temperatura do ano no Sul, com a frente fria avançando até São Paulo e o Rio de Janeiro. Desta vez, o frio deve se firmar no fim de semana, com possibilidade de geada no sul gaúcho e no sul do Paraná e de temperaturas negativas em pontos de Santa Catarina.