Uma frente fria alimentada por um ciclone extratropical em formação no Atlântico mantém temporais no Sul do Brasil nesta quinta-feira (2) e prepara uma queda brusca de temperatura no Sudeste para a sexta (3).
No Sul, rajadas acima de 80 km/h, granizo e volumes de chuva que podem superar 100 milímetros estão entre os principais riscos. Uma massa de ar polar avança pelo continente e abre possibilidade de neve nas serras gaúcha e catarinense.
Em São Paulo, as máximas podem despencar para entre 14°C e 16°C. No Centro-Oeste, a baixa umidade — que pode chegar a 20% — eleva o risco de queimadas em Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal.
Temporais com granizo e vento forte afetam o centro-sul do país
O ciclone extratropical deve se organizar próximo à divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, reforçando a frente fria que já atua sobre a Região Sul. As áreas mais afetadas pelos temporais desta quinta são o centro-norte gaúcho, Santa Catarina e o sul e sudoeste do Paraná.
Em alguns municípios, a chuva pode superar 60 milímetros em uma hora ou ultrapassar 100 milímetros ao longo do dia — volume que eleva o risco de alagamentos, deslizamentos e enxurradas em terrenos já saturados pela sequência de frentes frias do inverno de 2026.
No litoral gaúcho e catarinense, os ventos devem ganhar força, com rajadas de até 60 km/h e possibilidade de mar agitado em trechos da costa. Na madrugada e manhã de sexta, os temporais ainda atingem o norte gaúcho e partes do Paraná antes de perderem força ao longo do dia.
A onda de frio que varreu o Sul no fim de junho já havia derrubado os termômetros abaixo de 0°C nas serras gaúcha e catarinense — o mesmo cenário que se repete agora com a chegada de uma nova massa de ar polar.
Neve possível nas serras com avanço da massa polar
Com o afastamento da frente fria, a massa de ar polar avança e deve provocar marcas abaixo de 0°C em áreas do Rio Grande do Sul e da Serra Catarinense, com formação de geada. Uma pequena possibilidade de neve não está descartada nas regiões mais altas das duas serras — fenômeno que depende da combinação entre temperaturas muito baixas e umidade suficiente no momento exato.
O frio mais intenso está previsto para o sábado (4), especialmente na madrugada e nas primeiras horas da manhã nos planaltos, serras e municípios do interior gaúcho e catarinense. O vento deve acentuar a sensação térmica.
Sudeste, Centro-Oeste e Norte também sentem os efeitos
No Sudeste, esta quinta-feira ainda será de sol e calor — máximas de até 32°C no oeste paulista e em áreas fluminenses. A virada ocorre na sexta, com a chegada do ar polar e aumento de nebulosidade. Em São Paulo, o dia promete ser frio com pouca variação entre a mínima e a máxima. No Rio de Janeiro, a máxima não deve passar de 23°C, com possibilidade de chuva passageira.
Na semana passada, meteorologistas já apontavam a chegada de uma nova frente fria para a virada de junho para julho — o mesmo sistema que agora chega reforçado por um ciclone extratropical e derruba as temperaturas no Centro-Sul.
No Centro-Oeste, a massa polar alcança o oeste de Mato Grosso e áreas de Mato Grosso do Sul, com mínimas entre 7°C e 9°C na sexta. Apesar do frio matinal, as tardes ainda serão quentes — máximas de até 36°C no norte de Mato Grosso. A combinação de vegetação ressecada, umidade abaixo de 30% e calor à tarde representa risco elevado de queimadas em toda a região.
No Norte, as chuvas seguem concentradas no oeste e norte do Amazonas, em Roraima, no Amapá e na Ilha do Marajó. Em Tocantins, Rondônia e sul do Pará, o tempo seco deve manter máximas entre 36°C e 38°C, com umidade próxima a 20%. Ainda na primeira semana do inverno de 2026, uma massa de ar polar já havia colocado geada no mapa do Centro-Sul pela primeira vez na estação, antecipando o padrão de frio intenso que o país volta a sentir nos próximos dias.
