Trechos do Rio da Prata, em Jardim, Mato Grosso do Sul, voltaram a secar por causa da estiagem que atinge a região. Mais de 200 peixes ficaram presos em poças rasas e precisaram ser resgatados por equipes locais.
A operação é conduzida pelo Instituto Guarda Mirim Ambiental (IGMA) em parceria com o Instituto Amigos do Rio da Prata, com apoio de moradores que monitoram os pontos mais críticos do curso d’água.
Como funciona o resgate
Segundo o IGMA, cerca de 4 quilômetros de margem do rio foram afetados pela seca atual, com poças de água rasa e baixa concentração de oxigênio que colocam em risco a fauna aquática. As equipes fazem monitoramentos a cada três dias para localizar novos pontos críticos.
Entre as espécies resgatadas estão lambaris, piraputangas, cascudos, joaninhas e traíras — todas nativas do rio. Os animais encontrados em trechos isolados são capturados e levados para áreas mais profundas, onde o fluxo de água ainda é considerado normal.
O coordenador do IGMA, Nisroque Soares, afirma que as equipes avaliam constantemente as condições ambientais para antecipar riscos à fauna. Moradores das proximidades complementam o trabalho, avisando sobre concentrações de peixes em pontos com pouca água.
Histórico de secas se repete no rio
A crise atual não é a primeira no Rio da Prata. Em 2025, a estiagem chegou a afetar 11 quilômetros do leito, e as equipes precisaram resgatar 1.273 peixes isolados em poças, levados para um trecho com fluxo normal dentro do Recanto Ecológico.
Em 2024, entre junho e julho, o rio também enfrentou período de seca severa: cerca de 20 dos 90 quilômetros de extensão tiveram redução significativa do volume de água, com trechos em que o curso d’água chegou a desaparecer, incluindo a região sob a ponte do Curé.
A expectativa do IGMA é que a situação se agrave caso não haja chuvas suficientes nos próximos dias. Sem reposição de volume, novos trechos podem ficar isolados, elevando o risco para peixes e outros organismos que dependem do rio para sobreviver.