Saúde

Anvisa aprova Aquipta, remédio oral que previne enxaqueca crônica

Medicamento age sobre a proteína CGRP e chega com registro sanitário, mas ainda sem preço definido no país
Sede da Anvisa em Brasília; agência aprovou remédio oral para enxaqueca crônica

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira o registro do Aquipta (atogepanto), novo medicamento oral da farmacêutica AbbVie indicado para a prevenção da enxaqueca.

O remédio bloqueia o receptor do CGRP, molécula associada aos mecanismos de dor da doença, e chega ao mercado brasileiro em comprimidos de 10 mg e 60 mg.

Ainda não há informação sobre preço nem data de chegada às farmácias — a definição depende da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Como o novo remédio age no organismo

O atogepanto faz parte dos chamados gepants, medicamentos que bloqueiam o receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, o CGRP. Durante uma crise de enxaqueca, o sistema nervoso trigeminal libera essa substância, envolvida na sinalização da dor. Ao ocupar o receptor, o atogepanto interfere nessa cadeia e reduz a intensidade do processo.

Diferente dos anticorpos monoclonais que também atuam sobre o CGRP e são aplicados por injeção, o Aquipta é uma molécula pequena, tomada por via oral uma vez ao dia.

O que mostraram os estudos de fase 3

No estudo ADVANCE, publicado no New England Journal of Medicine, 910 adultos com enxaqueca episódica que tomaram 60 mg por dia tiveram redução média de 4,2 dias de dor por mês, contra 2,5 dias no grupo placebo — 60,8% desses pacientes reduziram em pelo menos metade a frequência das crises.

Já o estudo PROGRESS, publicado no The Lancet, acompanhou 778 pessoas com enxaqueca crônica, que relatavam cerca de 19 dias de dor por mês no início da pesquisa. Com a mesma dose, a redução média foi de 6,9 dias, ante 5,1 dias com placebo. Constipação e náusea foram os efeitos adversos mais comuns, registrados em cerca de 10% dos participantes.

Os dois ensaios foram financiados pela Allergan, hoje parte da AbbVie, e não comparam o atogepanto diretamente a outros preventivos já usados contra a enxaqueca, como betabloqueadores, anticonvulsivantes e antidepressivos.

Aquipta não é o primeiro gepant oral no Brasil

Em maio, a Anvisa já havia aprovado o Nurtec ODT (rimegepanto), da Pfizer, para tratamento das crises e prevenção da enxaqueca episódica — o primeiro representante da classe liberado no país.

A novidade também chega poucos meses depois da descontinuação do Emgality no Brasil, que deixou pacientes com enxaqueca crônica com menos opções preventivas da classe CGRP disponíveis no mercado nacional.

Registro não garante acesso pelo SUS

A aprovação da Anvisa autoriza a venda do medicamento, mas não implica incorporação ao SUS. Essa decisão cabe à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que avalia evidências clínicas, comparação com terapias já disponíveis e a relação entre custos e benefícios. O registro, válido até 2036, abre a porta regulatória no país — mas preço, lançamento e uma eventual discussão sobre o SUS ainda dependem de definições futuras.

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