O Emgality deixará de ser vendido no Brasil. A farmacêutica Libbs comunicou à Anvisa, no dia 4 de maio, o encerramento da comercialização do medicamento utilizado na prevenção de enxaqueca crônica e cefaleia em salvas.
Como justificativa, a empresa citou apenas uma “atualização do portfólio da companhia”, sem apresentar razões comerciais ou clínicas para a decisão. O produto é resultado de uma parceria entre a Libbs e a Eli Lilly, fabricante da fórmula.
Pacientes em tratamento devem procurar o médico responsável para avaliar opções terapêuticas. Os estoques já distribuídos continuam disponíveis nas farmácias até o fim do prazo de validade.
O que é o Emgality e como age no organismo
O medicamento tem como princípio ativo o galcanezumabe, um anticorpo monoclonal que atua bloqueando o CGRP — proteína envolvida nos mecanismos de dor que desencadeiam as crises de enxaqueca. Trata-se de uma classe mais recente de preventivos, desenvolvida especificamente para pacientes com quadros frequentes ou crônicos.
A enxaqueca é uma condição neurológica que vai além da dor de cabeça. As crises podem vir acompanhadas de náusea, vômitos, sensibilidade à luz e ao som. Nos casos crônicos, os episódios ocorrem em 15 dias ou mais por mês.
O Emgality também era indicado para a cefaleia em salvas — considerada uma das formas de dor de cabeça mais intensas da medicina, com episódios repetidos ao longo de semanas ou meses.
A retirada do mercado
A Libbs comercializava o Emgality em duas apresentações: 120 mg/mL e 100 mg/mL. A decisão foi comunicada à Anvisa no dia 4 de maio de 2026, conforme nota oficial da empresa.
Os produtos continuarão disponíveis nas farmácias enquanto houver unidades nos estoques já distribuídos e poderão ser usados normalmente dentro do prazo de validade indicado nas embalagens.
A descontinuação do Emgality deixa pacientes com enxaqueca crônica e cefaleia em salvas diante da necessidade de encontrar alternativas terapêuticas. A empresa não indicou prazo ou produto substituto para o Emgality em seu portfólio nacional.
O episódio se insere em um padrão preocupante de acesso a medicamentos especializados no país. Em abril, o desabastecimento de ciclofosfamida endovenosa já havia obrigado médicos a reescrever protocolos de quimioterapia em tempo real — evidência de que a continuidade de tratamentos de alta complexidade permanece vulnerável a decisões unilaterais de empresas farmacêuticas.
A orientação da Libbs é que pacientes em tratamento procurem o médico responsável o quanto antes para discutir as opções disponíveis. Dúvidas podem ser encaminhadas pelos canais oficiais de atendimento da empresa.
