Saúde

Anvisa aprova genéricos de liraglutida usados contra obesidade e diabetes

EMS pode vender o remédio sem marca própria, mas data de lançamento e preço ainda são incertos
Canetas injetáveis GLP-1 com logo da Anvisa, representando a aprovação dos genéricos de liraglutida Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou dois novos registros genéricos de liraglutida, substância usada em canetas injetáveis contra obesidade e diabetes tipo 2. As aprovações foram concedidas à farmacêutica brasileira EMS.

Os produtos, com concentração de 6 mg/mL, estão ligados a medicamentos que a própria empresa já comercializa desde 2025: o Olire, para obesidade, e o Lirux, indicado a pacientes com diabetes tipo 2.

O que muda com o registro “clone”

Os documentos publicados no Diário Oficial classificam os novos medicamentos como “genérico — registro de medicamento — clone”. O termo causa estranheza, mas designa um procedimento simplificado: vale quando o produto repete composição, fabricante, linha de produção e documentação técnica de um medicamento que já passou pela análise completa da Anvisa, chamado de matriz — neste caso, os próprios Olire e Lirux.

Para ganhar o status de genérico, o produto ainda precisa cumprir exigências específicas: mesmo princípio ativo, concentração, forma farmacêutica, via de administração e indicação do medicamento de referência, além de comprovar equivalência para poder substituí-lo na farmácia.

O avanço da EMS contrasta com o desfecho de abril, quando a Anvisa barrou justamente dois produtos de liraglutida da concorrente Cipla — Plaobes e Lirahyp, no mesmo tipo de disputa regulatória em que a farmacêutica brasileira agora avança.

A liraglutida integra o grupo dos agonistas do receptor de GLP-1, hormônio ligado ao controle da glicose e do apetite. A mesma classe inclui a semaglutida, de Ozempic e Wegovy, mas as moléculas são diferentes e a liraglutida exige aplicação diária, não semanal.

Preço e prazo ainda são incógnitas

A Anvisa não informa quanto vão custar as novas canetas. No Brasil, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) determina que o Preço Fábrica de um genérico não pode ultrapassar 65% do valor autorizado para o medicamento de referência — mas o desconto ao consumidor final pode variar conforme impostos, políticas comerciais e descontos das redes de farmácia.

A situação lembra o que ocorreu em julho, quando a Anvisa aprovou cinco novas marcas de semaglutida no país sem garantir presença imediata nas prateleiras, já que a CMED ainda precisava fixar o preço máximo de venda. Com a liraglutida, o roteiro se repete: a EMS ainda vai definir lançamento e valores.

Quando lançou Olire e Lirux em 2025, a empresa sugeriu preços a partir de R$ 307,26 por caneta. Desde 2025, medicamentos agonistas de GLP-1 só podem ser vendidos mediante receita médica retida na farmácia, regra criada pela Anvisa após o aumento do uso sem acompanhamento médico e de alertas sobre riscos como a pancreatite aguda.