Política

PF diz que Mendonça negociou delações e sugeriu benefício fora da lei

Documento enviado a Moraes cita prática que já anulou provas na Lava Jato
André Mendonça sob investigação da PF por delação premiada, com brasão da Polícia Federal em primeiro plano

Um relatório da Polícia Federal (PF) enviado nesta quinta-feira (3) ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, aponta que André Mendonça atuou diretamente em negociações de colaborações premiadas nas operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Segundo o documento, o ministro buscou informações sobre os acordos, falou com advogados de potenciais delatores e defendeu benefícios fora da lei, conduta que a PF associa a prática já censurada na Lava Jato.

Acesso antecipado às negociações

De acordo com o relatório, Mendonça é relator no STF das investigações ligadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero e, nessa condição, passou a questionar com frequência integrantes da apuração sobre o estágio das tratativas de colaboração premiada e sobre os elementos apresentados por quem buscava firmar acordo. A justificativa do ministro, segundo a PF, era acompanhar os procedimentos para garantir sua regularidade.

Para os investigadores, esse acesso antecipado ao conteúdo das negociações compromete a imparcialidade exigida do magistrado no momento de homologar os acordos e em eventuais julgamentos futuros. O documento cita ainda um episódio em que Mendonça teria recebido, em audiência com advogado de um possível colaborador, informação sobre mudança na coordenação de uma investigação da PF — dado usado, segundo o órgão, para abrir um procedimento de ofício.

Benefício fora do catálogo legal

Outro ponto do relatório envolve a colaboração de Maurício Camisotti, na Operação Sem Desconto, que enfrentava resistência da Procuradoria-Geral da República. Diante da divergência entre PF e PGR sobre o benefício a oferecer, Mendonça teria dito que poderia conceder vantagens sugeridas pela PF mesmo fora das hipóteses previstas em lei — o que, para os investigadores, reproduz prática amplamente censurada na Operação Lava Jato e já levou à anulação de conjuntos inteiros de provas no passado.

A PF também registra desconforto com o que chama de interesse desproporcional do relator no avanço das colaborações: mesmo após ser informado de que as delações em negociação não tinham elementos robustos de ineditismo ou recuperação patrimonial, o empenho de Mendonça teria persistido sem correspondência na avaliação técnica da equipe de investigação.

O caso também expôs um atrito entre Mendonça e a AGU, comandada por Jorge Messias, que decidiu não recorrer em defesa das competências administrativas da PF — decisão que, segundo os investigadores, pode ter sido influenciada pela expectativa de apoio do ministro a uma eventual indicação de Messias ao STF, tema que já havia motivado uma reunião entre o gabinete de Mendonça, o Ministério da Justiça e a AGU em agosto.

Com base no mesmo relatório, Moraes formalizou nesta quinta-feira um pedido ao presidente do STF, Edson Fachin, para que sejam tomadas providências sobre a conduta de Mendonça nas investigações do Master e do INSS.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Mendonça cobra da PGR explicações sobre mensagem de Vorcaro a Moraes

Vorcaro pergunta a Moraes se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso

PF revela mensagem de Gonet a Vorcaro: ‘já estou com saudades’

PGR declara nula investigação de Mendonça sobre Moraes e Vorcaro

Vorcaro presta depoimento urgente ao STF sem presença da PF

Gilmar propõe a Fachin banir delegados da PF dos gabinetes do STF