Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso preventivamente, prestou depoimento de urgência na semana passada a um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
A confirmação partiu do próprio gabinete nesta quarta-feira (2), depois que o jornal “O Globo” revelou o encontro. Segundo a nota, o pedido veio da defesa de Vorcaro, que alegou sofrer graves intimidações e pediu para ser ouvido com urgência.
A Polícia Federal não participou do ato, mantida fora por determinação do Conselho Nacional de Justiça, embora um representante do Ministério Público estivesse presente, como exige a lei.
Por que a Polícia Federal não participou
Segundo o gabinete de Mendonça, as normas do Conselho Nacional de Justiça determinam o afastamento da equipe policial responsável pela investigação em oitivas como essa, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente. A presença do Ministério Público, por sua vez, é exigência legal que foi cumprida.
O conteúdo do depoimento segue sob sigilo, mas a equipe de Mendonça fez questão de esclarecer um ponto: a relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes não foi mencionada durante o ato. A ressalva ganha peso à luz da crise que levou o ministro Luiz Fachin a agir nos bastidores para conter danos institucionais no STF, depois que mensagens atribuídas a Vorcaro citando Moraes vieram a público em março.
A oitiva de urgência também reforça o papel central que Mendonça já ocupava na condução do caso. Em março, o ministro já havia sido posicionado como árbitro de uma eventual delação de Vorcaro dispensada do aval direto da PGR, cenário que o novo depoimento sob sua supervisão apenas confirma.
O encontro de 2025 que motivou explicações
Horas antes de confirmar o depoimento sigiloso, o gabinete de Mendonça já havia divulgado outra nota para tratar de um encontro anterior: uma reunião única com Vorcaro em março de 2025, quase um ano antes de o ministro se tornar relator do caso Master, em fevereiro de 2026.
A revelação veio depois que o site ICL Notícias divulgou uma mensagem do advogado Ciro Rocha Soares, próximo de Vorcaro, mencionando um suposto encontro com o ministro. Segundo o gabinete, o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, então sob pedido de vista no STF, que discutia créditos de precatórios de interesse do Master.
O episódio se soma a outra exigência já fixada por Mendonça em março, quando negou prisão domiciliar ao banqueiro e condicionou qualquer colaboração premiada a ser “completa e não seletiva” — padrão que passa a valer também para o teor da oitiva mantida agora sob sigilo.