Mensagens recuperadas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal indicam proximidade entre o banqueiro e o procurador-geral Paulo Gonet, tendo o advogado Ciro Soares como principal interlocutor entre os dois.
Divulgado nesta terça-feira (1º) por decisão do ministro André Mendonça, do STF, o relatório da PF também aponta que uma viagem a Londres do filho do PGR, Pedro Gonet, teve as despesas totalmente custeadas.
Relatório é fruto da Operação Compliance Zero
O documento que embasa as revelações foi produzido a partir de dados extraídos de um dos celulares apreendidos com Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025. A investigação apura suspeitas de fraudes em operações de cessão de carteiras de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), que somariam cerca de R$ 12 bilhões e teriam sido lideradas pelo próprio banqueiro.
Vorcaro foi preso na fase inicial da operação e voltou a ser alvo de medidas cautelares em desdobramentos posteriores do caso. O material periciado inclui trocas de mensagens que, segundo a PF, situam o advogado Ciro Soares como o principal canal de comunicação entre o banqueiro e o procurador-geral da República.
O mesmo relatório tornado público por Mendonça nesta terça trouxe outra anotação que chamou atenção dos investigadores: em uma mensagem sem destinatário identificado, Vorcaro afirmava precisar de proteção do próprio Gonet e do diretor-geral da PF, episódio que levou o ministro do STF a cobrar explicações formais da PGR.
Divulgação ocorreu após decisão do STF
A publicação do relatório nesta terça-feira (1º) foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, corte à qual o caso está vinculado. A abertura de documentos sigilosos do inquérito tem sido usada para dar transparência aos desdobramentos da Operação Compliance Zero conforme avançam as apurações sobre o colapso do Banco Master.
As mensagens que agora expõem a proximidade entre Vorcaro e Gonet só puderam ser recuperadas depois de um trabalho de perícia extenso: em maio, a PF precisou reforçar a equipe em três estados para dar conta de 400 GB de dados só no primeiro dos oito aparelhos apreendidos com o banqueiro. O volume de material ajuda a explicar por que novos capítulos do caso seguem sendo revelados meses após a prisão do banqueiro.
O avanço das análises periciais mantém pressão sobre a cúpula da PGR e alimenta especulações sobre eventuais tratativas de delação premiada de Vorcaro, que segue no centro das investigações sobre o Caso Master.