No dia 15 de novembro de 2025, um sábado, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, se deveria estar fora do Brasil na segunda-feira seguinte.
Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, ele foi preso pela Polícia Federal ao tentar embarcar em um jato particular em Guarulhos, alvo de operação que apurava a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
O que revelam as mensagens
Os diálogos entre Vorcaro e Moraes, revelados pelo jornal O Estado de S. Paulo e também obtidos pela TV Globo, mostram que o banqueiro buscava o ministro do STF pelo WhatsApp na véspera da operação que o teria como alvo. No sábado, dia 15, ele questionou diretamente Moraes sobre deixar o país na segunda seguinte.
Um dia antes da prisão, em 16 de novembro, Vorcaro enviou novo questionamento ao ministro. Na mesma data, sugeriu um encontro presencial: “às 14h então, na sua casa ou na minha?”. Em outro trecho, diz estar “perplexo” com os acontecimentos.
A prisão ocorreu na noite de segunda-feira, 17 de novembro, quando Vorcaro tentava embarcar em um jato particular no Aeroporto Internacional de São Paulo. Ele era alvo da Operação Compliance Zero, que investigava a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
Segundo as investigações da época, a instituição emitia CDBs com promessa de rendimento de até 40% acima da taxa básica de juros do mercado — retorno considerado irreal pelos investigadores diante da real capacidade de pagamento do banco.
Repercussão e novos desdobramentos
O episódio se soma a outras revelações sobre a proximidade entre o banqueiro e o ministro. Prints mostram que, horas depois de ser preso, ainda no dia 17 de novembro, Vorcaro voltou a procurar Moraes pelo WhatsApp, pedindo que tentasse barrar movimentos contra o Banco Master.
O padrão de contato entre os dois não se limitava às mensagens de texto. De acordo com registros obtidos pela PF, Vorcaro e Moraes se encontraram pessoalmente diversas vezes ao longo de 2025, inclusive em reuniões na casa do banqueiro com outros políticos.
As novas revelações aprofundam uma crise institucional que já cercava o STF, agravada pelo fato de Vorcaro manter contratos com a esposa do ministro durante o período das trocas de mensagens.