O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu a 133,3 pontos em agosto, patamar mais alto desde novembro de 2022, informou nesta sexta-feira (04) a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.
Calor extremo na Europa, o avanço do El Niño na Ásia e a escalada da guerra no Mar Negro elevaram os preços de grãos e açúcar, enquanto o conflito entre Estados Unidos e Irã prejudicou o fornecimento de fertilizantes para as lavouras.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha mensalmente uma cesta de commodities alimentícias negociadas internacionalmente, saiu de 130,8 pontos revisados em julho para 133,3 pontos em agosto — o maior valor desde novembro de 2022, embora ainda esteja quase 17% abaixo do pico recorde de março de 2022, registrado após a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.
Grãos, óleos e açúcar puxam a alta
O índice de cereais subiu 2,2% em relação a julho e chegou ao nível mais alto desde maio de 2024. O índice de óleos vegetais avançou 0,6%, no maior patamar desde junho de 2022. O destaque negativo ficou com o açúcar: o índice saltou 11,9% e atingiu o maior nível desde junho de 2025, puxado pela menor produção na região centro-sul do Brasil, a principal área produtora do país, somada a preocupações climáticas na Europa e na Ásia.
Para o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, o movimento é um sinal de alerta: “o aumento dos preços globais dos alimentos em agosto é um alerta de que o prêmio de risco está retornando aos mercados de alimentos: choques climáticos, tensões geopolíticas e interrupções na logística comercial estão convergindo para restringir as expectativas de oferta”, afirmou, em comunicado.
Clima e geopolítica se somam
O calor extremo e a seca na Europa comprometeram as perspectivas para as safras de milho e beterraba sacarina, além da produção pecuária no continente, enquanto o El Niño previsto acendeu alerta sobre a produção de óleo de palma e de açúcar na Ásia. No Mar Negro, a escalada dos ataques reduziu os embarques de grãos da Rússia e da Ucrânia, país que enfrenta o conflito há quatro anos e meio, e o confronto entre Estados Unidos e Irã seguia prejudicando o fluxo de fertilizantes para as lavouras.
Um mês antes, a FAO já havia alertado que a combinação da guerra com o Irã, do conflito na Ucrânia e do El Niño empurraria os preços ao consumidor nos meses seguintes — o índice de agosto confirma essa projeção. Em maio, quando o indicador já batia máxima de três anos, analistas apontavam que o bloqueio do Estreito de Ormuz ameaçava o fornecimento global de fertilizantes, risco que agora se materializa nas lavouras. Em julho de 2025, o índice marcava 130,1 pontos, então o maior patamar em dois anos — a marca de agosto de 2026 mostra uma escalada que já dura mais de um ano sem sinais de reversão.